Vagão rosa é vetado pelo governador de São Paulo

A criação de um vagão só para mulheres nos trens e metrôs de São Paulo foi vetada hoje pelo governador Geraldo Alckmin. A medida, que ganhou o nome de vagão rosa, foi criada para, supostamente, minimizar o assédio às mulheres no transporte público.

Se aprovada, a lei destinaria um único vagão nos trens do metrô e da CPTM, de São Paulo, a mulheres.
Foto: Divulgação

A criação de um vagão exclusivo para as mulheres, nos trens do metrô e da CPTM, em São Paulo, foi aprovada na Assembleia Legislativa no início de julho, mas vetada pelo governador Geraldo Alckmin hoje. Fruto de um projeto de lei do deputado Jorge Caruso (PMDB), o chamado vagão rosa se justifica (segundo explicação de Caruso no próprio projeto de lei): “pois os problemas de assédio às mulheres são comuns e cabe a nós minimizarmos, diante do possível, essa situação”. Mas será que é isso mesmo o que aconteceria se ele for instituído? O que estava por trás da necessidade de tomar uma atitude como esta?

“Essa é uma medida que segrega (ao aprisionar em um espaço delimitado) as mulheres, que são justamente as vítimas da violência”, analisa Arlene Ricoldi, pesquisadora e presidente da União de Mulheres de São Paulo. Separar homens e mulheres no metrô solucionaria ou só disfarçaria e adiaria o tratamento sério do assédio? Se, ao sair do trem, a mulher perde tal “proteção”, pode-se perceber que o vagão reafirma a vulnerabilidade desta e o corpo feminino como um objeto de desejo masculino, considerando o homem incapaz de controlar seus impulsos sexuais.

“O que está por trás deste tipo de medida é a incapacidade de punir os agressores”, ressalta Ricoldi. A opinião da pesquisadora foi compartilhada por muitas mulheres, que viam na medida até um retrocesso nos anos de lutas feministas pela igualdade dos gêneros, não só no mercado de trabalho mas também no espaço público. Protestos nas ruas e a criação de páginas do Facebook contra o vagão rosa foram formas que algumas delas encontraram de se manifestar.

Se aprovado, o vagão rosa não seria exclusividade das paulistanas. No Brasil, o Distrito Federal já tem os seus. Fora daqui, Índia, Egito, Japão, Indonésia e México também o adotaram.

Em “O segundo sexo”, Simone de Beauvoir reserva às mulheres a classificação, mostrando como a sociedade é regida por um ponto de vista majoritariamente masculino. Em pleno século XXI, a igualdade de gêneros e os direitos femininos parecem retroceder com tal projeto. Ainda segundo ela, “a transformação da condição feminina depende do futuro do trabalho no mundo”. Seria esse trabalho, então, a segregação? A reafirmação da condição feminina como mero objeto sexual?

 

Entenda porque o projeto do vagão rosa era polêmico.

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