Solidão pode ser mortal para idosos, dizem estudos

Idosos solitários têm mais dificuldade para executar tarefas diárias, maior risco de depressão, declínio cognitivo, entre outros problemas

Manter-se solitário pode ser um veneno para a longevidade; a boa notícia é que cultivar amizades – e companhias que não pertencem necessariamente à família – na velhice é o antídoto perfeito. A jornalista do jornal norte-americano The New York Times Paula Span, responsável pela página The New Old Age (algo como “a nova terceira idade”), acompanhou pessoas que fizeram novas amizades durante a velhice. Ela observou que esses idosos, embora sofram com as perdas, são gratos pela capacidade de compartilhar valores e interesses, compreensão e confiança. Os idosos solitários também têm mais dificuldade para executar atividades diárias, apontou amplo estudo da Universidade da Califórnia.

Os pesquisadores acompanharam 1 600 pacientes, com idade média de 71 anos, sendo que os solitários exibiam uma taxa de moralidade mais elevada, mesmo quando foram considerados fatores socioeconômicos e de saúde. Em seis anos, 23% dentre os mais solitários morreram, enquanto 14% dos que não eram solitários faleceram no período. Outros estudos mostram que a solidão também é capaz de representar riscos de depressão, declínio cognitivo, doenças arteriais, aumento da pressão sanguínea e comportamentos de risco como fumo e falta de atividades físicas.

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Idosos podem desenvolver novas habilidades de relacionamento. “Eles são bastante tolerantes às imperfeições e manias dos outros, mais do que jovens”, defendeu a professora de desenvolvimento humano Rosemary Blieszner à jornalista do Times. Em suas observações, Span notou benefícios na convivência entre idosos em casas de repouso ou comunidades, onde podem fazer novas amizades e compartilhar atividades.

A psicóloga da Universidade de Stanford Laura Carstensen, ouvida por Span, defende que a forma como priorizamos amizades pode mudar. Ela desenvolveu uma teoria chamada “seletividade socioemocional”: conforme as pessoas sentem que não tem mais tanto tempo pela frente, desenvolvem relacionamentos superficiais para se concentrar naqueles que consideram mais significativos – investindo nas conexões que ainda restam.

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