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Restauração de pintura tem resultado um tanto quanto desastroso

Pintura da Imaculada Conceição foi comparada ao "Ecce homo", afresco que virou meme após ser restaurado por idosa em 2012

Por Da Redação - 23 jun 2020, 20h33

Você se lembra do Ecce Homo? Pintado na parede de uma igreja em Borja, na Espanha, o retrato de Jesus Cristo se tornou viral da internet em 2012, após passar pela “restauração” da espanhola Cecilia Giménez, uma idosa local que, com boa vontade, queria melhorar a pintura desgastada, mas acabou por transformá-la completamente. 

Centro de Estudios Borjanos/AP/Reprodução

Oito anos depois, e de novo na Espanha, foi a vez da Imaculada Conceição ser vítima de um profissional de talentos questionáveis. Segundo conta o The Guardian, um colecionador de arte em Valência havia pagado €1,200 (aproximadamente 7000 reais) a um restaurador de móveis para limpar o quadro A Imaculada Conceição dos Veneráveis, criado no século 15 pelo pintor Bartolomé Esteban Murillo. Porém, depois de duas tentativas de restauração, o resultado ficou bem longe do original.

Cedida por Coleccionista/Europa Press/Reprodução

O episódio acabou gerando um clamor por parte de profissionais da arte espanhola para a necessidade de que apenas restauradores capacitados sejam capazes de executar esse trabalho. Ao jornal, Fernando Carrera, professor da Escola Superior de Conservação e Restauração de Bens Culturais da Galícia, declarou que as leis atuais são muito permissivas no sentido de deixar que pessoas sem as habilidades necessárias participem de projetos de restauração.

“Você pode imaginar uma pessoa qualquer sendo autorizada a operar alguém? Ou autorizada a vender remédios sem uma licença farmacêutica? Ou alguém que não é arquiteto tendo autorização para erguer um prédio?”, questionou ele. María Borja, vice-presidente da Associação de Conservadores Restauradores da Espanha (Acre), afirmou que casos como esse são muito mais comuns do que se imagina. “Apenas descobrimos sobre eles quando as pessoas publicam na imprensa ou nas redes sociais, mas existem numerosas situações em que os trabalhos são realizados por pessoas não treinadas”, aponta.

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O professor ainda completou que “precisamos focar a atenção da sociedade para que ela escolha representantes que colocarão os bens culturais em suas pautas”, disse Carrera. “Não precisa ser no topo, porque obviamente não é como os serviços de saúde ou os empregos – existem coisas muito mais importantes. Mas essa é nossa história.”

Enquanto isso, como já era de se esperar, a restauração acabou virando motivo de piada na internet:

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