Protagonismo feminino no cinema americano faz História

Pela primeira vez, 50% dos filmes norte-americanos tiveram protagonistas mulheres colocando 2019 como o ano da grande mudança

O Instituto Geena Davis sobre Gênero na Mídia lançou, na última quinta-feira (12), um estudo que mostra que, pela primeira vez, protagonistas femininas tiveram a mesma participação que protagonistas homens nos filmes americanos. Os filmes analisados foram os chamados “filmes de família”, ou seja, os com classificação livre ou que são permitidos para crianças com acompanhamento dos pais. Entre eles estão Frozen 2, Capitã Marvel, Toy Story 4, Aladdin, Malévola e Adoráveis Mulheres.

Em 2007, as mulheres em papéis principais nesses tipos de filme eram apenas 24% e, em 2019, o número subiu pra 48%. A pesquisa também mostrou que, apesar da marca histórica, ainda há muito o que melhorar em outros aspectos no cinema. Das personagens mulheres, apenas 32% são negras, sendo que a população negra representa quase 40% da total nos EUA. Além disso, ficou provado que, apesar da maior representatividade, há 6 vezes mais chances de que as personagens femininas sejam retratadas com roupas sensuais que os homens.

O Instituto também analisou a participação de outros grupos nesses filmes, como os negros, LGBTs, pessoas com deficiência e pessoas gordas. Nesses aspectos, ainda há muito o que melhorar, apesar da evolução. Houve, por exemplo, um crescimento de 8% nos personagens principais negros, comparando 2019 com 2007. Ainda assim, é menos provável que sejam retratados como pessoas de classes sociais mais altas ou como líderes.

A representatividade LBGT, por sua vez, teve um declínio. Em 2018, eram 5% os filmes que possuíam algum LGBT no enredo, enquanto em 2019 foram apenas 2%. Assim como as mulheres, eles também têm maior probabilidade de serem retratados com roupas sensuais e como pessoas promíscuas. A falta de representação também ocorre com os idosos, que são quase 20% da população norte-americana, mas são apenas 9,1% dos personagens no cinema.

Ao retratar pessoas com deficiência, o cinema americano teve evolução. No último ano, 8% dos filmes tinham algum personagem PcD, um número nunca antes alcançado. Estas pessoas também têm mais chances de serem representadas como pessoas dedicadas ao trabalho. O exato oposto ocorre com os personagens gordos. Eles são apenas 8,3% do total e quase em todos os casos são vistos através de estereótipos – preguiçosos, lentos e desajeitados são alguns deles.

“As imagens distribuídas pelas mídias têm um grande impacto na forma como nos vemos e julgamos nossos valores. Então, quando você vê alguém com as suas mesmas características refletido em uma mídia, você se reconhece e se sente como parte de algo, o que é extremamente importante para as crianças, principalmente”, disse Geena Davis em entrevista à CNNAcesse todos os dados e o estudo completo aqui.

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