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Menino de 14 anos é morto em uma operação da polícia no Rio

João Pedro estava dentro de casa quando foi atingido

Por Ana Claudia Paixão - Atualizado em 19 Maio 2020, 14h40 - Publicado em 19 Maio 2020, 10h54

Na noite de segunda (18), João Pedro Mattos Pinto estava em casa, brincando com os primos, quando começou a troca de tiros entre bandidos e policiais. Ele morava na Praia da Luz, no bairro de Itaoca, parte do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. Mesmo dentro de casa, ele foi atingido por uma bala. Ele foi levado sem explicações para a família, que ficou sem notícias do jovem até a manhã de hoje, quando foi confirmada a sua morte. João Pedro tinha apenas 14 anos.

Segundo informações da Polícia Civil, João Pedro foi atingido durante um confronto na comunidade enquanto policiais federais e civis atuavam na região e já instaurou inquérito para apurar a morte do adolescente. A versão da polícia é de que traficantes tentaram fugir pulando o muro de uma casa, dispararam contra os policiais e arremessaram granadas na direção dos agentes. O jovem foi atingido e teria sido levado de helicóptero para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos. O corpo foi encaminhado para o IML de São Gonçalo.

Moradores da comunidade foram ao Twitter denunciar a violência durante a operação. A busca por João Pedro, que terminou com a triste confirmação de sua morte, chegou a ter repercussão mundial entre os trends de notícias com a hashtag #procuraseporjoaopedro. O relato de parentes foi de que, por volta das 16h, traficantes invadiram a casa, seguidos por policiais. Na troca de tiros, João Pedro foi atingido na barriga.

João Pedro é mais uma vítima fatal dos confrontos frequentes entre policiais e traficantes nas comunidades do Rio. Em setembro de 2019, a pequena  Ágatha Vitória Sales Félix, 8 anos, foi baleada e morta na zona norte da cidade, também durante uma operação policial. Ela estava dentro de uma Kombi, que circulava pela comunidade do Complexo do Alemão, e foi atingida por um tiro nas costas. Além de Ágatha, Ketellen Umbelino de Oliveira Gomes, de apenas 5 anos, também morreu vítima de bala perdida, em novembro de 2019, em Realengo, no Rio de Janeiro.

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OAB cobra perícia meticulosa

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro está em contato com a família de João Pedro e irá se oferecer para prestar assistência jurídica no caso. Uma das principais preocupações da entidade é a qualidade das perícias realizadas pela Polícia Civil no corpo do jovem e no local. “Desde o início, a família não foi avisada para onde João Pedro foi levado para ser socorrido, nem em qual IML ele foi levado. Descobriram por conta própria, segundo me relataram. Também não conseguimos informações sobre a perícia; esperamos que tenham sido feitas fotos, pois sem isso fica difícil cobrarmos algumas respostas”, diz Nadine Borges, vice-presidente da Comissão. “Apenas uma perícia detalhada ajudará a entender com exatidão de onde partiram os disparos e encontrar responsáveis”, diz Rodrigo Mondego, membro da comissão. A Polícia informou à imprensa que foi realizada perícia no local, que as armas usadas na operação foram apreendidas e testemunhas foram ouvidas. Os resultados do laudo ainda não foram divulgados.

 

 

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