Maridos são culpados por 30% dos assassinatos de mulheres em SP

Estado registrou 272 assassinatos de mulheres entre janeiro e junho de 2017, sendo um terço dos casos semelhantes ao da juíza Claudia Zerati

Os primeiros seis meses do ano contabilizaram 272 assassinatos de mulheres no estado de São Paulo. Em um terço dos casos, as mortes foram provocadas por maridos e companheiros das vítimas. O número é baseado em dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), compilados pelo SPTV, nesta terça-feira (22).

Segundo a SSP, no estado, 83,7% das vítimas de homicídio são homens, 14,1% mulheres e 2,2% não identificados.

Porém, quando observa-se o número de homicídios entre casais, a taxa de mortes femininas aumenta: 70,1% das vítimas são mulheres e 29,9% são homens.

O feminicídio – homicídio de mulheres em razão do desprezo ao gênero – é considerado crime desde 2015, quando foi promulgada a lei que altera o Código Penal brasileiro para sua tipificação.

Feminicídio

VI – contra a mulher por razões da condição de sexo feminino:
§ 2o-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve:
I – violência doméstica e familiar;
II – menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Código Penal

Estimativa do Mapa da Violência de 2015 aponta que sete mulheres são mortas todos os dias vitimadas pelo feminicídio no país.

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Casos recentes

Só o Estado de São Paulo registrou quatro casos nos últimos dois dias. Na segunda-feira (21), um policial militar matou a ex-esposa depois de uma discussão do casal no bairro do Canindé, região Norte da capital paulista.

No outro extremo da cidade, no bairro Jardim Ângela, uma mulher foi morta por estrangulamento pelo namorado ainda na tarde de segunda.

No mesmo dia, durante a madrugada, o ajudante de serviços gerais Antônio de Souza, 62 anos, foi preso após agredir e matar a esposa, Maria do Carmo Cândido, 67 anos, na Vila Brasilândia, Zona Norte.

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No fim de semana, o delegado Cristian Lanfredi, 42 anos, disparou contra a esposa Claudia Zerati, 46 anos, juíza titular da 2ª Vara do Trabalho de Franco da Rocha. Os tiros levaram a magistrada à morte.

Depois do crime, o ex-funcionário da Assembleia Legislativa se suicidou no apartamento do casal no bairro de Perdizes, Zona Oeste de São Paulo.

A morte de Claudia provocou comoção no setor em que trabalhava. O Tribunal Regional do Trabalho divulgou nota lamentando o falecimento da juíza.

A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e a Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 2ª Região (Amatra) também se pronunciaram.

Em nota, as associações lembraram que o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de país onde mais ocorrem feminicídios. “Pelos dados do Mapa da Violência 2015, dos 4.762 assassinatos de mulheres registrados no Brasil em 2013, 50,3% foram cometidos por familiares (33,2% pelo parceiro). O machismo mata.

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