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Johnson sabe há décadas que talco poderia causar câncer, diz agência

Substância cancerígena já foi banida de mais de 60 países

Por Da Redação - Atualizado em 18 fev 2020, 12h21 - Publicado em 15 dez 2018, 14h53

A Johnson & Johnson sabe há décadas que o talco da marca continha amianto, uma substância cancerígena proibida no Brasil e em muitos outros países.

Segundo reportagem publicada pela agência Reuters, uma revisão dos documentos relacionados a um processo que o gigante farmacêutico enfrentou e perdeu na Justiça dos Estados Unidos, comprova o conhecimento por parte da empresa.

O estudo revelou que entre 1971 e o início dos anos 2000, executivos, mineradores, doutores e até advogados estavam cientes de que o talco cru testava positivo para a presença de amianto. Muitas vezes, até mesmo no produto final era detectada a substância.

Em julho deste ano, nos Estados Unidos, em um processo movido no Estado do Missouri, a Johnson & Johnson foi condenada em júri popular a pagar 5 bilhões de dólares a 22 mulheres e suas famílias que alegam que o talco causou câncer nos ovários. Uma das alegações era justamente que fazia mais de quarenta anos que a empresa sabia que o produto poderia causar tais efeitos.

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O outro lado

Em nota oficial, a marca Johnson & Johnson afirma que “A matéria publicada pela Reuters nos Estados Unidos é unilateral e falsa. O talco para bebês da Johnson & Johnson é seguro e não contém amianto. Estudos com mais de 100 mil homens e mulheres mostram que o talco não causa câncer ou doenças relacionadas ao amianto. Milhares de testes independentes realizados por órgãos reguladores e laboratórios de pesquisa de referência mundial provam que nosso talco para bebês nunca conteve amianto”.

Além disso, no posicionamento divulgado pela empresa, é citado que “a reportagem da Reuters está incorreta em três pontos centrais”. Seriam eles:

“A matéria ignora que milhares de testes realizados pela J&J, por órgãos reguladores, por laboratórios independentes e instituições acadêmicas mostraram repetidamente que nosso talco não contém amianto.”

“A matéria ignora que a J&J cooperou totalmente e abertamente com a agência reguladora americana (Food and Drug Administration – FDA) e outros órgãos reguladores, fornecendo aos mesmos todas as informações solicitadas ao longo de décadas. Nós também disponibilizamos as nossas minas de talco cosmético e o nosso talco processado aos órgãos reguladores para testes. Órgãos reguladores testaram ambos e sempre declararam que o nosso talco não contém amianto.”

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“A matéria ignora que a J&J sempre usou os métodos mais avançados de testes disponíveis para confirmar que nosso talco cosmético não contém amianto. Todos os métodos disponíveis para testar o talco da J&J em relação ao amianto foram usados pela companhia, órgãos reguladores ou especialistas independentes, e todos esses métodos concluiram que nosso talco cosmético é livre de amianto.”

Foi também criado um site oficial – em inglês – com fatos importantes sobre o talco.

Alerta da OMS

Em julho de 2017, a Organização Mundial de Saúde (OMS) fez um alerta para o mundo sobre os riscos do amianto. Esse mineral, usado principalmente na fabricação telhas de fibrocimento, foi considerado comprovadamente cancerígeno. Respirar as fibras do amianto é o suficiente para desenvolver o mesotelioma (tumor maligno no tecido que envolve os pulmões) e a asbestose, ou “pulmão de pedra”, endurecimento do pulmão que leva à morte lentamente por perda de ar. As doenças relacionadas ao amianto são consideradas incuráveis e podem levar muitos anos para se manifestar.

A Organização Mundial de Saúde concluiu que o amianto causa mais de 100 mil mortes por ano no mundo. O mito do “uso controlado” foi derrubado por estudo da organização, que afirmou que não existem limites seguros para o uso do amianto. A única saída é o banimento e a substituição por outros materiais. Por isso, mais de 60 países já baniram totalmente essa matéria-prima.

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