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Parlamentar do PSL chama deputadas de “deputéricas” em sessão virtual

Sâmia Bomfim (PSol-SP), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Érika Kokay (PT-DF) vão fazer uma representação contra Bibo Nunes no Conselho de Ética da Câmara

Por Da Redação Atualizado em 3 dez 2020, 20h30 - Publicado em 3 dez 2020, 19h47

Em um espaço virtual destinado a discussões do plenário, o deputado Bibo Nunes (PSL-RS) disse nesta quinta-feira (3) que passaria a chamar as deputadas da Casa de “deputéricas” e “deputadas histéricas”, já que, nas palavras dele, elas “não respeitam minimamente o presidente da República”, completando que as parlamentares “só criticam e ofendem”. A fala machista do deputado, que demonstrou orgulho na sessão pelo neologismo desrespeitoso, gerou protestos por parte das representantes da Câmara dos Deputados.

De acordo com o Metrópoles, as deputadas Sâmia Bomfim (PSol-SP), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Érika Kokay (PT-DF) irão reivindicar a ofensa feita por Bibo por meio de uma representação contra o parlamentar no Conselho de Ética da Câmara. Para Jandira, o comentário foi “ridículo, indecoroso e machista”. Já Flávia Arruda disse: “Não vamos aceitar nenhum tipo de machismo. Já temos que conviver com isso na rua. Não é possível que tenhamos que conviver também no Parlamento”.

O ato de violência também foi relacionado com agressões verbais sofridas por candidatas, como Marília Arraes e Manuela D’Ávila, nas últimas eleições municipais. “Todas as vezes que mulheres se colocam e dizem que lugar de mulher é onde ela quiser e ocupam espaços que a lógica sexista, machista, reserva para os homens, elas são atacadas. Vimos aqui nesta sessão. A misoginia é crônica, engravatada, com sapatos reluzentes. Tentar caracterizar a firmeza da posição das mulheres como histeria. Os homens, quando são firmes, são chamados de convictos, combativos”, questionou Érika Kokay (PT-DF). “A violência é sempre a arma dos fracos, daqueles que não conseguem debater ideias”, finalizou Érika.

As ofensas sofridas por mulheres na política também chegam a níveis ainda mais inacreditáveis como no caso de Suéllen Rossim (Patriotas), que após ser eleita prefeita de Bauru, cidade do interior de São Paulo, recebeu ameaça de morte e xingamentos racistas. Os atos foram registrados como injúria racial, mostrando a face da interseccionalidade de gênero e raça.

  • O que falta para termos mais mulheres eleitas na política

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