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Conheça o tatuador que ajuda mulheres que tiveram câncer a recuperar a autoestima

Com seu traço, o tatuador brasileiro Miro Dantas ajuda mulheres que tiveram câncer a recuperar a autoestima, fragilizada pela cirurgia de remoção da mama.

Por Liliane Prata Atualizado em 22 out 2016, 17h49 - Publicado em 15 Maio 2015, 05h00

Não são só caveiras, rosas e borboletas que compõem o dia a dia do tatuador Miro Dantas. Com seu desenho e agulha, o paulistano, de 42 anos, tem auxiliado na recuperação da autoestima de mulheres que tiveram parte ou a totalidade da mama removida para combater o câncer. “Por muito tempo, senti vontade de ajudar as pessoas à minha volta, mas não sabia como”, conta ele, que trabalha com gravação corporal há 22 anos. Em 2005, procurado por uma paciente que havia sido submetida à mastectomia, Dantas não só tatuou o primeiro dos muitos mamilos realistas que viria a desenhar como encontrou o caminho para satisfazer seu desejo altruísta. Aos poucos, foi então se aprofundando na técnica que o delicado procedimento requer – e as tonalidades, diz, são seu maior desafio. No fim do ano passado, ele criou o projeto Uma Tatuagem por uma Vida Melhor: uma vez por semana, atende essas mulheres no estúdio Gelly’s Tattoo, na Vila Madalena, bairro de São Paulo, gratuitamente – afinal, revela ele, muitas não podem arcar, nem material nem emocionalmente, com um retorno à sala de operações para fazer a reconstrução com a própria pele.

Ainda assim, não é sem hesitação que as interessadas chegam para a primeira visita (que precisa ser agendada previamente, pois ele mantém seu trabalho artístico regular em paralelo). Às vezes por ter passado muito tempo desde a remoção da mama e já estarem acostumadas à nova imagem no espelho, às vezes porque têm uma visão negativa da tatuagem, elas são acompanhadas por alguma desconfiança. “Mesmo em 2015, há um tabu em torno desse tema”, diz ele. Relutantes ou não, inevitavelmente elas se beneficiam do procedimento, que recria os contornos perdidos e lhes permite recuperar a autoimagem, fragilizada pela cirurgia. Para além de mamilos (e até imagens decorativas) tatuados, o projeto é justamente sobre autoestima renovada. E não só elas se sentem bem depois da sessão. “Eu também ganho muito em realização pessoal e em visibilidade do meu trabalho. São só pontos positivos!”, comemora.

Casado e pai de um garoto de 5 anos, Dantas contabiliza entre os seus grandes aprendizados ter percebido que, mais do que se apegar a sonhos grandiosos (e muitas vezes impossíveis), como ele mesmo antes do projeto, na hora de ajudar os outros o que dá mais certo é agir na própria área. “Todos nós, sejamos bancários, dentistas ou tatuadores, podemos usufruir de nossas habilidades não só para o próprio sustento mas também para uma causa social. Acredito nesse trabalho de formiguinha. Acredito em fazer a diferença.” 

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