Conheça a primeira mulher negra a assumir a Casa Militar de SP

A coronel Helena Reis assumiu importante cargo de comando da polícia, raridade entre as mulheres – que ocupam apenas 12% das posições policiais em São Paulo

Em 1989, aos 18 anos, Helena Reis ingressou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, em São Paulo. Fazia parte do primeiro grupo de mulheres a entrar no tradicional curso de cadetes, sendo a única negra dentre as 15 ingressantes que juntaram-se aos 180 alunos homens da turma.

Na quinta-feira (19), a coronel Reis foi empossada para comandar a Secretaria da Casa Militar e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de São Paulo. Antes dela, o alto cargo militar, existente desde 1920, só havia sido ocupado por uma mulher – Reis é a primeira negra na posição.

“Existe uma carência de representatividade no campo militar. Fico feliz em ser um pouco desbravadora e um espelho para as próximas; é mais uma responsabilidade”, disse a secretária a CLAUDIA.

Até o ano anterior à sua entrada na Barro Branco, os caminhos para homens e mulheres ingressarem na Polícia Militar de São Paulo eram distintos. Elas entravam como sargentos para, após um ano, prestar concurso e se tornarem oficiais.

“As mulheres eram direcionadas a setores de assistência social, porque entendia-se que eram as funções que estariam habilitadas para exercer”, explica Reis. “Naquela época, eu não poderia ocupar a posição em que estou hoje”. A porta de entrada para a carreira militar e a formação foram então igualadas.

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As mulheres passaram a ser aceitas em todas as modalidades militares dez anos depois. Da turma de Reis na Academia Militar, saíram a primeira as primeiras oficiais nos bombeiros e na cavalaria. No entanto, os quadros ainda eram separados por gênero, bem como os concursos para novos soldados – o que mudou em 2011.

“Soldado é soldado sendo homem ou mulher”, diz. A concorrência a novas vagas é aberta para ambos, mas o número de ingressantes nos quadros militares ainda é majoritariamente masculino: mais de 80% dos novos soldados são homens. Na tropa de policiamento, elas são 12%.

Nos cargos de alto comando, a proporção é ainda mais desigual. A posição mais alta, de comandante geral da polícia, nunca foi ocupada por uma mulher. “Para atingir o topo da hierarquia, são necessários vários anos. Como demoramos a conquistar igualdade nas funções, a equiparação no comando levará muito tempo”, explica a secretária. “Tenho total certeza que vamos chegar lá em breve”.

Nas polícias do estado, não existem cotas para negros e mulheres ampliarem a representatividade. “Há pouca diversidade em todas as instituições: nas faculdades, na câmara… Na polícia não seria diferente”.

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