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Conheça a primeira mulher negra a assumir a Casa Militar de SP

A coronel Helena Reis assumiu importante cargo de comando da polícia, raridade entre as mulheres – que ocupam apenas 12% das posições policiais em São Paulo

Por Letícia Paiva - 26 jan 2017, 09h45

Em 1989, aos 18 anos, Helena Reis ingressou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, em São Paulo. Fazia parte do primeiro grupo de mulheres a entrar no tradicional curso de cadetes, sendo a única negra dentre as 15 ingressantes que juntaram-se aos 180 alunos homens da turma.

Na quinta-feira (19), a coronel Reis foi empossada para comandar a Secretaria da Casa Militar e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de São Paulo. Antes dela, o alto cargo militar, existente desde 1920, só havia sido ocupado por uma mulher – Reis é a primeira negra na posição.

“Existe uma carência de representatividade no campo militar. Fico feliz em ser um pouco desbravadora e um espelho para as próximas; é mais uma responsabilidade”, disse a secretária a CLAUDIA.

Até o ano anterior à sua entrada na Barro Branco, os caminhos para homens e mulheres ingressarem na Polícia Militar de São Paulo eram distintos. Elas entravam como sargentos para, após um ano, prestar concurso e se tornarem oficiais.

“As mulheres eram direcionadas a setores de assistência social, porque entendia-se que eram as funções que estariam habilitadas para exercer”, explica Reis. “Naquela época, eu não poderia ocupar a posição em que estou hoje”. A porta de entrada para a carreira militar e a formação foram então igualadas.

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As mulheres passaram a ser aceitas em todas as modalidades militares dez anos depois. Da turma de Reis na Academia Militar, saíram a primeira as primeiras oficiais nos bombeiros e na cavalaria. No entanto, os quadros ainda eram separados por gênero, bem como os concursos para novos soldados – o que mudou em 2011.

“Soldado é soldado sendo homem ou mulher”, diz. A concorrência a novas vagas é aberta para ambos, mas o número de ingressantes nos quadros militares ainda é majoritariamente masculino: mais de 80% dos novos soldados são homens. Na tropa de policiamento, elas são 12%.

Nos cargos de alto comando, a proporção é ainda mais desigual. A posição mais alta, de comandante geral da polícia, nunca foi ocupada por uma mulher. “Para atingir o topo da hierarquia, são necessários vários anos. Como demoramos a conquistar igualdade nas funções, a equiparação no comando levará muito tempo”, explica a secretária. “Tenho total certeza que vamos chegar lá em breve”.

Nas polícias do estado, não existem cotas para negros e mulheres ampliarem a representatividade. “Há pouca diversidade em todas as instituições: nas faculdades, na câmara… Na polícia não seria diferente”.

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