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Aborto de meninas vira epidemia no Leste Europeu

De acordo com a ONU, a desigualdade de gênero aumenta em países do Leste Europeu. Cada vez mais mães optam por não ter o bebê quando descobrem que será uma menina.

Por Amanda Figueiredo Atualizado em 28 out 2016, 09h26 - Publicado em 13 nov 2014, 22h00

Segundo pesquisas da ONU (Organização das Nações Unidas), tem aumentado o número de países que adotam o “feticídio feminino“, em que muitas mulheres optam por interromper a gravidez quando descobrem que o bebê será uma menina. Albânia, Kosovo e Macedônia, todos no Leste Europeu, entraram recentemente para a lista de lugares que aderiram a essa prática.

De acordo com um estudo da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, biologicamente 105 meninos nascem para cada 100 meninas. No entanto, na Armênia e no Azerbaijão mais de 115 meninos nascem para cada 100 meninas, e na Geórgia a proporção é de 120 homens para cada 100 mulheres.

Como resultado, o UNFPA (sigla em inglês para Fundo de População das Nações Unidas) estima que em países como a Armênia haverá a falta de cerca de 93 mil mulheres em 2060 se a alta taxa de seleção de gênero no pré-natal permanecer inalterada.

A ONU afirma que essa onda de abortos está se espalhando como uma “epidemia”, citando como exemplo o vírus do Ebola. O chefe da divisão de gênero do UNFPA, Luis Mora, acredita que o fácil acesso à tecnologia foi uma das causas deste aumento, pois hoje as pessoas podem saber cada vez mais cedo qual será o sexo do bebê. “Vimos como a discriminação, a preferência por meninos e todas as questões relacionadas têm progressivamente se espalhado para países que nunca antes tínhamos pensado que poderiam praticar a escolha do gênero, como os países do Leste Europeu”, afirmou Mora.

“Eu acho que isso é um aviso”, disse Mora. “Por trás dessa situação há uma forte e grave advertência sobre como as desigualdades de gênero, a violência, a preferência por meninos e outras práticas nocivas podem realmente tornar-se universal.”

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