4 mulheres históricas da política brasileira que você precisa conhecer

Nem sempre lembradas nos livros de histórias, essas mulheres foram determinantes para que, hoje, possamos ter espaço na política

Neste domingo (2), as brasileiras vão às urnas eleger seus – ou, quem sabe, suas – representantes na política. Nestas eleições, somos cerca de 30% das candidaturas aos cargos de prefeita e vereadora.  Atualmente, nós ocupamos apenas 10% das vagas no Congresso Nacional e 12% nas câmaras dos municípios. Estamos a frente das prefeituras de apenas 12% dos 5,6 municípios brasileiros. É muita pouca representatividade. 

No entanto, essa situação já foi pior. Houve um tempo em que as mulheres não podiam nem votar e, muito menos, se candidatar a cargos políticos. Foi preciso que outras mulheres abrissem esses espaços para que pudessemos avançar nessas questões – e ainda temos muitos passos pela frente.

Leia mais: Política brasileira ainda é dominada por homens. Quem vamos colocar no lugar deles?

Conheça quatro mulheres que tiveram papel histórico na política brasileira quando a participação feminina era ainda mais restrita: 

Leolinda Daltro criou o primeiro partido feminista do Brasil

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Antes mesmo que as mulheres pudessem participar oficialmente da vida política brasileira, votando e sendo votadas – o que aconteceria em 1932  – Leolinda Daltro criou o primeiro partido político feminista do Brasil, o Partido Republicano Feminino, em 1910. 

A criação da legenda foi uma forma de pressionar o governo a incorporar o voto feminino, sobretudo após ter tido seu pedido na justiça eleitoral para se alistar como eleitora negado. Sua alegação para o requerimento é que a Constituição de 1890, vigente na época, não excluía as mulheres diretamente. As mulheres não eram consideradas cidadãs, sendo excluídas, portanto. Em 1934, candidatou-se para compor a Assembleia Constituinte, mas não foi eleita. 

Nascida na Bahia, em 1859, ela era professora e percorria o sertão do Brasil com um projeto para educar indígenas, sendo a favor da educação laica nas tribos. Na tentativa de concretizar seu plano de educação, foi alvo de boicotes sexistas, além de perseguição – era ridicularizada e chamada de “Mulher do Diabo”. 

Leolinda queria que os índios fossem formados como cidadãos, tendo acesso aos seus direitos. Por isso, inscreveu alguns de seus alunos como eleitores em uma eleição para deputados, em 1906 – esses podem ter sido os primeiros indígenas a votar. Morreu em 1935. 


Alzira Soriano foi a primeira mulher prefeita de toda a América Latina

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O Rio Grande do Norte foi o primeiro estado brasileiro a incluir as mulheres no direito ao voto, em 1927, por meio de sua Constituição Estadual. No ano seguinte, seria eleita no estado a primeira mulher prefeita de toda a América Latina, Alzira Soriano. Ela venceu as eleições pelo Partido Republicano para a prefeitura do município de Lages, no interior do Rio Grande do Norte, com cerca de 60% dos votos. 

Ficou no cargo por apenas sete meses, sendo tirada da posição após a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas à presidência. No curto período, coordenou um gabinete formado apenas por homens (imagem). Voltou à vida pública após a redemocratização, em 1945, sendo eleita vereadora por duas vezes consecutivas no município de Jardim de Angicos, onde nasceu. Em 1963, faleceu aos 67 anos. 

Leia também: “Ter mulheres na política é o mínimo que se precisa em uma sociedade”, diz Stephanie Ribeiro, ativista feminista negra 

Bertha Lutz lutou pelo direito das brasileiras ao voto e, quando candidata, propôs o direito à licença maternidade

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A zoóloga Bertha Lutz é apontada como uma das principais líderes na luta pelos direitos políticos das mulheres brasileiras. Foi dela o empenho pela aprovação da legislação que aprovou o direito às mulheres de votarem e serem votadas, o Código Eleitoral de 1932. Dez anos antes, representou as brasileiras na Assembleia Geral da Liga das Mulheres-Eleitoras, em Nova York. 

Nascida em São Paulo, em 1894, Bertha estudou na Europa, onde teve contato com as sufragistas – mulheres que lutavam pela emancipação feminina por lá. De volta ao Brasil, ocupou vários cargos no serviço público, onde também foi pioneira. 

Em 1934, ela candidatou-se a uma vaga na Assembleia Nacional Constituinte, mas não foi eleita. Dois anos depois, acabou assumindo o cargo de deputada na Câmara Federal, propondo medidas como licença maternidade de três meses e redução da jornada de trabalho, então de 13 horas diárias. 

Sua última missão em defesa das mulheres antes da morte, em 1976, foi participar do Congresso Internacional da Mulher da ONU, no Ano Internacional da Mulher, 1975. 

Leia também: “A estrutura sexista do sistema eleitoral do Brasil não foi desmontada”, diz Nadine Gasman, da ONU Mulheres 

Carlota Pereira de Queirós foi a primeira deputada federal da história do Brasil

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Primeira deputada federal da história do Brasil, Carlota Pereira de Queirós foi eleita para compor a Assembleia Nacional Constituinte de 1934, sendo a única voz feminina no Congresso na ocasião. “Além de representante feminina, única nesta Assembleia, sou, como todos os que aqui se encontram, uma brasileira, integrada nos destinos do seu país e identificada para sempre com seus problemas”, disse em discurso. 

Médica, pedagoga e escritora, Carlota integrou a Comissão de Saúde e Educação, trabalhando pela alfabetização e assistência social na Constituinte, além de buscar melhores condições de trabalho para as mulheres, como igualdade de salários e licença maternidade. 

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