Tuany Nascimento 

Dançar profissionalmente sempre foi o sonho de Tuany Nascimento. Enquanto praticava, começou a ensinar balé a meninas do Complexo do Alemão. Hoje, 130 alunas já passaram por suas aulas. Ela é finalista do Prêmio CLAUDIA 2019 na categoria Cultura

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Tuany Nascimento tinha apenas 19 anos quando começou o Na Ponta dos Pés, iniciativa para ensinar balé clássico no Complexo do Alemão, comunidade carioca onde ela nasceu e cresceu. Bailarina, costumava praticar sozinha em uma quadra poliesportiva, o que despertou o interesse das meninas da vizinhança. “Não tinha noção de que estava criando um projeto social. Para mim, era uma troca. Eu treinava e, ao mesmo tempo, mostrava a elas o que sabia”, diz. Hoje, aos 25 anos, ela entende a importância do que faz em uma região com ações educativas escassas. Já passaram por suas classes cerca de 130 garotas, e, em 2018, por meio de um financiamento coletivo europeu, Tuany conseguiu parte da verba para construir uma escola de dança na comunidade, em um terreno da mãe, Ana Paula Ferreira Souza. Embora as paredes estejam de pé, falta dinheiro para a finalização da obra. Enquanto isso, as 34 alunas prosseguem na quadra. Três vezes por semana, elas chegam de rosa da cabeça aos pés – em uniformes doados e também costurados por Tuany e Ana Paula. “É uma forma de resistência. Estamos falando que, se o Estado não fornece, nós criamos os meios de ter acesso à cultura. O projeto dá protagonismo individual e coletivo às meninas”, afirma.

Tuany começou a dançar aos 5 anos; aos 18, achava impossível fazer do balé uma profissão. Como filha mais velha de cinco irmãos, ela precisava ajudar a mãe. Trabalhava meio período como aprendiz de marketing e depois ia dar aula para as crianças. Nesse meio-tempo, entrou na faculdade de educação física com bolsa integral e, há dois anos, se formou. Diferentemente do que imaginava, viver da dança não é mais um sonho distante. Tuany acaba de ser aprovada em uma audição e, a partir de novembro, passará uma temporada de quatro meses entre Grécia e Chile com a Cia. de Dança Nikos. “Foi um recomeço. Era antagônico falar para as meninas que elas poderiam conquistar seus sonhos sendo que eu, de certa maneira, tinha desistido do meu.”

Mais do que formar bailarinas, quero inseri-las na sociedade, ensinar que existe mundo para além da comunidade

Tuany Nascimento, bailarina

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