Teuda Bara 

À frente de um dos grupos de teatro icônicos do país, o Galpão, Teuda Bara insiste em fazer espetáculos de rua para garantir acesso ao grande público. Pelo mesmo motivo, fundou e mantém um centro cultural em Belo Horizonte. Ela é finalista do Prêmio CLAUDIA 2019 na categoria Cultura

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Quando a atriz Teuda Bara anda pelas ruas de Belo Horizonte, as pessoas a abordam para perguntar se vai ter teatro. A mineira é a fundadora do emblemático Grupo Galpão. Espetáculos encenados principalmente nas ruas, para um público que já chegou a 6 mil pessoas, marcam o DNA democrático e político da companhia. “O teatro de rua é uma utopia de uma sociedade igualitária, onde todo mundo é livre para se divertir”, afirma. Criado em 1982, quando o país ainda passava pela ditadura militar, o grupo participou das manifestações pelas Diretas Já. E não perdeu o espírito político. Neste ano, em que o Galpão completou 37 anos, Teuda saiu às ruas em uma performance em que vendia limões para compensar os cortes orçamentários na área de cultura. “Ficamos chateados de ler na internet que os artistas mamam nas tetas do governo. Hoje, com a redução dos recursos destinados a essa área, estamos sem meios para trabalhar”, diz. “Mas não vamos parar. Pelo contrário. Senão, quem vai contar a nossa história e registrar o nosso tempo?”

O Galpão tem 12 atores, sendo que, além de Teuda, mais dois são da formação original – Eduardo Moreira e Antonio Edson. Em 1998, inauguraram o Galpão Cine Horto, centro cultural localizado em um antigo cinema dos anos 1950. É um espaço aberto à comunidade que oferece cursos, oficinas e também mantém um núcleo de pesquisa teatral. Teuda Magalhães Fernandes começou no teatro há 60 anos, quando estudava ciências sociais na Universidade Federal de Minas Gerais. Com seus colegas, fazia teatro-jornal (formato criado pelo dramaturgo carioca Augusto Boal). Na época, trabalhou com o roteirista mineiro Eid Ribeiro e com o diretor paulista José Celso Martinez Corrêa. Em 1982, sua participação e de um grupo de atores na oficina dirigida por dois membros do Teatro Livre de Munique deu origem ao Galpão. Desde então, ela segue atuando nas principais peças da companhia. No cinema, participou de filmes como “O Palhaço” (2011), de Selton Mello, e, na televisão, da novela “Meu Pedacinho de Chão” (2014), da Globo. Este mês, a atriz estreia Luta – Comunista Demais para Ser Verdade, apresentação que é uma adaptação de sua biografia, escrita pelo jornalista João Santos em 2017. “A receita para o grupo durar tanto tempo é gostar de fazer teatro e não abandonar. A gente brinca, se diverte e se reinventa todos os dias, mesmo que o espetáculo se mantenha igual.”

Fazer teatro de rua é lindo porque você tem uma relação direta com o público. Eles podem interferir na hora

Teuda Bara, atriz

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