Stéphanie Habrich

Criadora do jornal infantil Joca, Stéphanie Habrich fomenta a leitura e o repertório crítico em crianças, contextualizando temas relevantes do noticiário. Ela é finalista do Prêmio CLAUDIA 2019 na categoria Educação

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Filha de mãe francesa e pai alemão, Stéphanie Habrich passou a infância com acesso a muitas revistas e jornais franceses destinados ao público infantil. Mas nunca tinha atentado para a relevância do material em sua vida até viver um episódio traumático.

Trabalhando no mercado financeiro, ela estava em uma das torres do World Trade Center, em Nova York, no dia do ataque terrorista de 11 de setembro de 2001. Saiu ilesa fisicamente, mas teve um clique sobre a necessidade de quebrar a rotina de trabalho e se dedicar a questões que lhe eram mais caras, como a educação. Já adulta e morando no Brasil, em 2007 criou duas revistas infantis, a Peteca e a Toca.

“Minha ideia era que os pais fizessem as assinaturas, mas o plano não vingou. Ainda assim, eu continuava a acreditar no potencial do material para os pequenos”, afirma. Na nova tentativa, decidiu mirar nas escolas. Afinal, é nesse espaço que a maioria das pessoas tem seu primeiro contato com a leitura. Assim nasceu o jornal Joca, em 2011.

Começou com instituições privadas e, quando o projeto ganhou fôlego financeiro, Stéphanie criou um modelo para atender as escolas públicas. “No início, eu precisava de recursos para nos manter, mas desejava atingir o máximo de estudantes possível”, conta. Como ela não conseguia apresentar pessoalmente a iniciativa em todos os colégios públicos, muitos recebiam o material, mas não usavam.

Quem ajudou a virar o jogo foi a coordenadora pedagógica Nádia Moya, de São Paulo, que colocou na grade de uma das turmas da escola em que trabalhava um período de leitura do jornal. Logo ela observou que o envolvimento e a participação dos alunos cresciam. Os dados mostram que o índice de aprendizagem também subiu. O caso virou referência para outras instituições públicas, que adotaram a mesma atividade.“O nosso objetivo é ampliar o senso crítico dos jovens por meio da leitura”, explica Stéphanie. O periódico – quinzenal nos meses letivos – inclui textos que contextualizam os fatos do noticiário, explicando as situações em pormenores, focando em questões interdisciplinares.

Hoje são 30 mil assinaturas, mas calcula-se que, pela rotação de cada exemplar entre vários alunos, sejam impactadas até 500 mil crianças, em 24 estados e no Distrito Federal. Em todas as edições, jovens de diferentes países relatam detalhes de seu cotidiano para os leitores brasileiros. É comum que, inspiradas pelo conteúdo, as crianças se mobilizem para causas que as afetam. “Elas se tornam protagonistas dos acontecimentos, viram figuras ativas socialmente”, acrescenta Stéphanie.

Com o jornal infantil, as crianças compreendem temas relevantes que estão no noticiário, mas restritos aos adultos

Stéphanie Habrich, empresária

 

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