Sandra Santos

Cozinheira em uma instituição educacional, Sandra Santos ajuda e conforta mães, tias e avós que, fragilizadas, aguardam longos períodos por uma visita. Ela é finalista do Prêmio CLAUDIA 2019 na categoria Trabalho Social

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Desde as primeiras horas da manhã, às quartas e aos sábados, uma fila de mulheres começa a se formar do lado de fora do Centro de Atendimento Intensivo (CAI) de Belford Roxo, unidade de internação para adolescentes em conflito com a lei, no Rio de Janeiro. Mães, tias e avós dos jovens frequentemente viajam longas horas sem alimentação para fazer a visita. Trabalhando desde 1994 no sistema socioeducativo, a cozinheira Sandra Santos não se conformava com a cena repetitiva. Resolveu oferecer café da manhã e abraços de conforto ali mesmo, na calçada. “Mas as mulheres não aceitavam ofertas de ajuda. Desconfiavam de uma estranha dando comida”, conta. Diante das negativas, decidiu que precisava de algo mais sólido, estruturado. Assim nasceu, em 2012, a Casa da Mãe Mulher, instalada em uma pequena residência quase em frente à unidade. Sandra convida quem chega à fila para tomar café da manhã, almoçar, descansar, fazer orações ou só para conversar. A notícia correu rapidamente e hoje são atendidas, em média, 50 mulheres aos sábados e 80 às quartas. O aumento da demanda fez com que Sandra alugasse este ano o imóvel ao lado da sede. 

O lugar sobrevive de doações. Como o período de internação pode chegar a três anos, algumas das atendidas se tornam fiéis frequentadoras. Há quem vire voluntária mesmo sem ter mais de visitar o adolescente. O que era para ser apenas uma área de conveniência tornou-se um centro com atividades regulares para fortalecer mulheres com palestras e oficinas de autoconhecimento e saúde. “Elas já estão preocupadas com os sofrimentos e as privações que os filhos podem estar vivenciando. Aí chegam a um lugar nada amigável, feio e deserto. É desolador. Então qualquer ato de acolhimento é válido”, observa Sandra. Até junho, o CAI tinha 265 internos, apesar de dispor de apenas 135 vagas – uma representação da situação precária dos equipamentos de cumprimento de medidas socioeducativas no Brasil, ocupados principalmente por adolescentes socialmente vulneráveis. A proporção se repete em outros órgãos do tipo no Rio de Janeiro. Se não tem autoridade para transformar o sistema, Sandra causa impacto naquilo que é capaz de alcançar.

Criamos uma rede de apoio para que as mães de adolescentes em conflito com a lei encontrem conforto umas nas outras

Sandra Santos, cozinheira

 

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