Olímpia Reis Resque

Autora de dois volumes do dicionário Amazônia Exótica, divulga a floresta ao compilar dados científicos e registros literários

Popular entre os fãs da dieta saudável, o açaí tem origem amazônica. O nome, do tupi, significa “o fruto que chora, que deita água”. Conta uma lenda que é chamado assim em homenagem à índia Iaça (leia ao contrário). Ela teria morrido junto à palmeira que dá o fruto depois de ver o espírito do filho. Quando foi encontrada, tinha os olhos negros, ainda abertos, mirando o alto da planta, repleta de açaí. Já para o príncipe Adalberto, da Prússia, essas árvores seriam apenas leves e graciosas, como descreveu no século 19.

Histórias assim são contadas por Olímpia Reis Resque no dicionário Amazônia Exótica – Curiosidades da Floresta. São dois volumes da editora Empíreo, um publicado em 2011 e o último no mês passado. Foi uma década de dedicação para dar origem a cada um dos livros. Nas obras, a autora cataloga frutas, madeiras, aves e alguns insetos e reúne outras referências sobre cada um dos 109 verbetes. Além da descrição científica, revela lendas regionais, referências literárias e trechos de relatos de viajantes sobre a região.

Nascida em São Luís do Maranhão, Olímpia se mudou com a família para Belém ainda criança. A paixão por ler e escrever a levou a cursar biblioteconomia. “Até hoje amanheço, trabalho e vou dormir lendo e escrevendo”, conta com sua fala mansa. Recém-formada na década de 1980, foi contratada para fazer a conservação e catalogação de obras raras na Biblioteca do Museu Paraense Emílio Goeldi, na capital do estado. Não levou muito tempo para notar que são diversas as formas como as espécies são registradas – de livros técnicos a descrições de populares. Também observou as histórias dos povos que ali habitam, os modos de expressar, comer, viver… Levou a questão ao chefe. “O então diretor do museu, Guilherme Maurício Souza de La Peña, pediu que eu fizesse um controle terminológico do acervo”, lembra. Assim começou o trabalho de uma vida. O desafio desencadeou uma pesquisa profunda, durante 20 anos, cujo resultado são os dicionários.

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