Nilza de Jesus Santos

Há 34 anos, Nilza de Jesus Santos é uma das lideranças de escola comunitária em Salvador que discute cidadania e ressalta as raízes africanas dos alunos. Ela é finalista do Prêmio CLAUDIA 2019 na categoria Educação

Gostou desta finalista?
Obrigado por participar! Você pode votar quantas vezes quiser, em qualquer categoria.
Ops! Algo deu errado. Tente novamente mais tarde.

Curiosamente, foi por causa de seu aniversário, dia 11 de maio, que Nilza de Jesus Santos pisou pela primeira vez na Escola Aberta do Calabar, em Salvador, há 34 anos. Os alunos participavam de uma gincana organizada pela instituição comunitária e procuravam alguém que tivesse nascido na data simbólica para a comunidade, que marca uma das primeiras manifestações de moradores por melhorias no bairro.

Durante o evento, Nilza conheceu Fernando Conceição, hoje professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e um dos fundadores da escola, erguida por mobilização dos próprios moradores da região, encravada entre os bairros de classe média Barra e Ondina.

Nilza virou professora imediatamente e, dois anos depois, se tornou coordenadora. Os grandes desafios também chegaram rapidamente. “A associação de moradores que mantinha o lugar estava passando por dificuldades financeiras. Então precisamos interromper as aulas”, lembra Nilza.

Para não fechar as portas totalmente, o corpo docente se organizou para manter as atividades em jornada reduzida, oferecendo inclusive reforço escolar. Em 2004, conseguiram captar recursos para reabrir e uma gestora para dirigir o projeto. “Recebemos muitas doações, que nos ajudaram a fazer reformas e nos qualificar”, conta ela.

Hoje, o colégio tem turmas que vão da educação infantil ao 5º ano do ensino fundamental, com aulas ministradas por professores formados em pedagogia, boa parte deles moradores de Calabar.

“Nosso maior objetivo é formar cidadãos questionadores e pensantes”, diz a educadora. A capoeira é um dos pilares de ensino, funcionando como ferramenta de afirmação racial e da origem afro da maior parte dos alunos. “Conta a história que nosso bairro foi fundado por negros africanos de uma região conhecida como Calabari. Buscamos sempre trabalhar com nossas ancestralidades e estender a consciência dessa memória para toda a comunidade”, afirma Nilza.

E eles não focam só nas crianças. Um dos projetos organizados pela instituição em parceria com o governo da Bahia promove curso sobre cidadania e direitos para as mulheres moradoras da região.

A escola está aberta para toda a comunidade. Queremos que esse seja um espaço de discussão, de troca

Nilza de Jesus Santos, gestora escolar

Conheça as outras finalistas da categoria Educação:

Ananda Machado 

Stéphanie Habrich