Neide de Jesus

Liderando um quilombo no Maranhão, capacita mulheres para gerar renda por meio do artesanato. Ela é finalista da categoria Políticas Públicas do Prêmio CLAUDIA 2019

Gostou desta finalista?
Obrigado por participar! Você pode votar quantas vezes quiser, em qualquer categoria.
Ops! Algo deu errado. Tente novamente mais tarde.

A comunidade quilombola de Itamatatiua, a 70 quilômetros do centro do município maranhense de Alcântara, abriga cerca de 160 famílias. O povoado se formou no século 18, quando a Ordem do Carmo, que geria a produção de cerâmica por escravos, saiu da região e abandonou a população. Nas terras pertencentes à freira carmelita Santa Teresa de Jesus, Itamatatiua prosperou e foi reconhecida, em 2006, como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares – mas ainda aguarda a demarcação de território. Um relevante capítulo da história da comunidade se iniciou na década de 1980, quando morreu seu então representante, o encarregado de terras, e Neide de Jesus foi eleita a nova líder, contrariando as convenções, já que era solteira e mãe. Hoje com 70 anos, ela ainda é figura respeitada na comunidade e por ela passam quase todas as decisões tomadas ali. Pouco depois de sua nomeação, a maranhense criou uma associação de mulheres para organizar as plantações, promover melhorias e lutar pelos direitos da comunidade. Hoje, esse grupo é liderado por Alessiane de Jesus, treinada por Neide. “Mesmo eu estando fora para descansar, elas continuam me consultando”, diz a matriarca, que age como articuladora e mediadora de conflitos.

Produzida no fundo dos quintais desde a saída das carmelitas, a cerâmica de Itamatatiua ganhou status com o trabalho da organização feminina local. As artesãs conquistaram o apoio do governo estadual para estabelecer o Centro de Produção de Cerâmica em 2002. Atualmente, cerca de 40 mulheres de diferentes gerações preservam a tradição do trabalho manual. “Antes, aqui no quilombo, as casas eram quase todas feitas de taipa. Ninguém vinha nos visitar e nós também não saíamos”, relata Neide, que já viajou a diversas partes do país para apresentar o trabalho de artesanato de suas companheiras. Agora, resistindo a tentativas de padronização, as cerâmicas atraem turistas e são vendidas também fora da comunidade, com renda revertida para as produtoras e suas famílias.

Com a venda da produção de cerâmica tradicional, as mulheres conseguem ter uma renda extra

NEIDE DE JESUS, líder comunitária

CONHEÇA AS OUTRAS FINALISTAS DA CATEGORIA POLÍTICAS PÚBLICAS 

ILONA SZABÓ

ANANDA PUCHTA e MARIA EDUARDA AGUIAR