Mônica Cirne Albuquerque

É fundadora do Instituto Movimento&Vida, que oferece atendimento de fisioterapia sem custo, sobretudo a vítimas da violência

Não há nada que altere a agenda da fisioterapeuta Mônica Cirne Albuquerque nas tardes de segunda e sexta-feira. Nesses dias, sua prioridade é cuidar das cerca de 120 pessoas que recebe no Instituto Movimento & Vida, montado para atender moradores do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, e também de bairros dos arredores. São principalmente vítimas de balas perdidas e do descaso dos serviços públicos de saúde.

Quando a situação é tão grave que o paciente não pode descer o morro para ir à instituição, Mônica não hesita. “Entro onde for preciso, sem problemas”, diz carregando um bebê que nasceu com microcefalia e paralisia cerebral. “Todos me conhecem; conto com a colaboração das vans de transporte, que não cobram pelo meu deslocamento.” Nos outros dias da semana, ela recebe pacientes em seu consultório particular.

No instituto, trabalham com ela mais duas fisioterapeutas voluntárias e outras oito pessoas, que se dividem entre recepção, auxílio aos acompanhantes e outras funções. Ele foi inaugurado em maio de 2017, em um imóvel comprado pelo marido de Mônica, Antônio José Pereira. Os dois ergueram a casa com doações e muito esforço. “No meio da obra, acabou o cimento. Então, saímos pelas lojas do bairro pedindo ajuda. No fim, até sobrou material de construção.”

Os atendimentos, no entanto, antecedem o imóvel. Desde 2007, Mônica se dedica à tarefa, que era realizada em uma sala improvisada nos fundos de uma igreja. “Sei a falta que a fisioterapia faz, pois meus pais não tiveram como pagar por tratamentos adequados para o filho caçula, que nasceu com paralisia cerebral”, conta Mônica. Ela decidiu seguir essa carreira para ajudar o irmão, hoje com 42 anos.

Cerca de seis meses antes de inaugurar o instituto, Mônica sofreu um baque. Em um assalto, seu marido foi assassinado a poucas quadras do endereço. “Só consegui me reerguer porque fui abraçada pelas pessoas da comunidade. Não sou eu que as ajudo; são elas que me mantêm viva.”

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