Marilda Siqueira

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Marilda Siqueira

Virologista, é uma das líderes nos esforços que erradicaram a rubéola e o sarampo no Brasil

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É uma das líderes nos esforços que eliminaram a rubéola e o sarampo no Brasil 

TEXTO GIULIANA BERGAMO

Em meio à avalanche de más notícias que mancham a imagem do país, parece mais difícil encontrar algum feito nacional que seja motivo de orgulho. Mas eles existem – especialmente nestas páginas. Em abril passado, o Brasil recebeu da Organização Panamericana de Saúde (Opas) um certificado pela erradicação da rubéola e do sarampo.

Uma das quatro autoridades a quem o documento foi entregue é a virologista Marilda Mendonça Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz). Desde o início dos anos 1990, ela está à frente dos esforços mundiais para eliminar as duas doenças.

Naquela época, entidades internacionais de saúde resolveram colocar fim em um cenário até então devastador. Por ano, por volta de 2,6 milhões de crianças morriam em decorrência do sarampo, vírus altamente transmissível.

“Em poucos meses, organizamos no Brasil a maior campanha de vacinação já realizada no mundo”, afirma a pesquisadora. “Ao final de 1992, 95% das crianças com menos de 14 anos foram imunizadas.” O problema, no entanto, estava longe do fim.

Era preciso garantir que novos casos não ocorressem. Nos últimos 25 anos, foram traçadas diversas estratégias de vacinação e rastreamento do vírus. Aos poucos, as epidemias resumiram-se a pequenos focos de contágio controlados com lupa.

À menor suspeita da infecção, uma amostra do paciente é colhida e analisada e, ao mesmo tempo, são tomadas medidas para que a doença não se propague. O último surto ocorreu em 2015, no Ceará.

A expertise no controle do sarampo foi multiplicada para outros países da América Latina e até na China. Foi replicada também para conter, no Brasil, a rubéola – moléstia não tão letal, mas que pode causar graves sequelas.

Bebês de mães infectadas durante a gravidez correm o risco de nascer com uma série de malformações. Em 1997, foram registrados quase 33 mil casos da doença no Brasil. Com as intensas campanhas de vacinação e conscientização, o país zerou o número em 2009.

Paralelamente à luta contra as duas doenças, Marilda realiza, desde o início da carreira, um árduo trabalho para combater vírus respiratórios. Ela é especialista no micro-organismo chamado sincicial, responsável por grande parte das internações infantis no outono e no inverno.

Além disso, teve papel fundamental no controle das epidemias de gripe humana que ameaçaram o mundo, como a do H1N1, em 2009. Ela integra o Sistema Global de Resposta à Influenza, da OMS.