Maite Schneider

Mulher trans e ativista dos direitos humanos, Maite Schneider se dedica às causas da população transgênera há mais de 20 anos. Ela é finalista do Prêmio CLAUDIA 2019 na categoria Trabalho Social

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Maite Schneider tinha 16 anos e ainda atendia por Alexandre quando se recuperava da segunda tentativa de suicídio. Em consulta com um psiquiatra para entender o desconforto e o sentimento de inadequação que a acompanhava desde criança e que a levara à atitude extrema de atentar contra a própria vida, ela e a família ouviram pela primeira vez o termo transexualismo. O médico explicou os protocolos para a mudança de sexo, incluindo administração de hormônios e cirurgia, que, na época, era feita apenas nos Estados Unidos. A partir de então, ela iniciou um longo e tortuoso caminho. Maite já contabiliza 14 operações, algumas corretivas, após ter tentado retirar sozinha os testículos. “Quando passei a me entender como mulher, queria que a mudança fosse rápida”, conta. Nascida em um lar abastado em Curitiba, Maite sempre teve apoio dos pais, algo raro entre transgêneros.  

“Não foi fácil para ninguém, mas não sofri rejeição. Tive estrutura, estudei em bons colégios, fui privilegiada.” Ao frequentar grupos de pessoas trans, percebeu a necessidade de a causa ter mais voz e se tornou uma das cofundadoras da Associação Brasileira  de Transgêneros (Abrat), focada também no combate à evasão escolar. O abandono do estudo, nesses casos, é muito comum e se reflete em alto índice de pessoas trans trabalhando em subempregos ou sendo levadas à prostituição. A Abrat auxiliou na criação de mais de 20 cursos de capacitação por todo o país. Mas Maite notou que mesmo aqueles que possuíam graduação e até doutorado não conseguiam vagas. Assim, em 2013, com a advogada Marcia Rocha, fundou a plataforma Transempregos, inicialmente um grande banco de currículos.

Nos últimos seis anos, o projeto se desdobrou em serviço de consultoria para diversidade e implantação de políticas de inclusão, atendendo mais de 200 empresas para contratação de profissionais trans. O próximo passo será reverberar o exemplo e as políticas para além das corporações. “Já ouvi de uma trans que ela não tinha sonhos; desejava apenas estar viva no dia seguinte. Conhecer bem essas fraquezas é a minha fortaleza. Quero dar oportunidades e esperança a todas.”

Trabalho para diminuir as diferenças. Quero que transexuais acreditem na educação e em suas capacidades

MAITE SCHNEIDER, ativista

 

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