MAÍRA AZEVEDO | @tiamaoficial

Preta, pobre, gorda, do candomblé. A jornalista e humorista Maíra Azevedo dispensa eufemismos em sua apresentação para falar de amor-próprio e combater o racismo. Ela é finalista do Prêmio CLAUDIA na categoria Influenciadora Social

Gostou desta finalista?
Obrigado por participar! Você pode votar quantas vezes quiser, em qualquer categoria.
Ops! Algo deu errado. Tente novamente mais tarde.

Conhecida como Tia Má, a escrachada conselheira amorosa do programa “Encontro com Fátima Bernardes” e protagonista de stand-ups celebradíssimos, lavava as mãos no banheiro do Ministério Público de Salvador quando foi abordada por uma senhora. Maíra Azevedo, que estava no local para uma solenidade do Dia da Mulher, estranhou, mas a atendeu. “Ela me disse: ‘Você salvou a minha vida e eu precisava agradecer’”, conta, emocionada. “Como eu faço vídeos de humor, inicialmente não entendi nada!” Bastante envelhecida para seus 45 anos, a mulher contou que passara uma noite inteira pesquisando formas de morte indolor, cansada das agressões diárias do marido. Até que em algum momento chegou a um vídeo da Tia Má. Negra como ela, dona de uma história difícil também, mas que falava de amor-próprio como algo possível e transformador. Foi assim que decidiu então preservar sua vida, se livrar do algoz e recomeçar.

Ainda que o caminho como influenciadora não tenha sido exatamente planejado, Maíra hoje conta com perfis bastante ativos no YouTube, Facebook e Instagram, além de estar na maior emissora de televisão do país. “Não posso nem dizer que são lugares onde sonhei estar, porque, para gente como eu, nunca pareceram espaços alcançáveis”, diz. A carreira como comunicadora começou nos jornais baianos, o que lhe rendeu alguns prêmios de reportagem cobrindo entretenimento e a editoria de polícia. Mas foi no humor e no jeito franco de encarar os percalços a que fatalmente estão submetidos aqueles que não se enquadram nos padrões estéticos e culturais da sociedade que arrebanhou fãs e mudou – e até salvou – muitas vidas. “Tenho várias características de grupos geralmente oprimidos. Como as pessoas com quem falo, também precisei construir meu amor-próprio.”

A humorista tem grande preocupação com a interseccionalidade em suas mensagens. Com frequência, defende e aborda em seus conteúdos, por exemplo, homofobia e direitos LGBT. A ironia fina e o sarcasmo característicos de suas falas só saem de cena quando recebe ataques nas redes virtuais. É ela quem abastece pessoalmente seus canais e, por isso, faz questão de responder sem filtros. “Não faço tipo. Antes de ser uma pessoa pública, sou um ser humano e tenho a minha individualidade”, afirma enfaticamente. “Respondo de igual para igual. A gente recebe o que oferece.”

“Sou voz para aqueles que nunca se enxergaram ou que sempre se sentiram obrigados a aceitar migalhas”

MAÍRA AZEVEDO, criadora de conteúdo

Conheça as outras finalistas da categoria Influenciadora Social:

Gabriela Manssur

Juliana Romano