Luciana Carvalho

Após incêndio no Museu Nacional, paleontóloga se dedica a resgatar valioso acervo das cinzas. Ela é finalista da categoria Inovação e Ciências no Prêmio CLAUDIA 2019

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O primeiro encontro de Luciana Carvalho com o Museu Nacional, instituição ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), se deu há 27 anos, quando ainda estudava biologia e já estava fascinada por répteis. A princípio, não sabia que era possível estudar os animais pela paleontologia, mas aceitou um estágio na área. Desde então, não saiu mais do museu, retornando para o mestrado e o doutorado até se tornar professora do Departamento de Geologia e Paleontologia. Hoje, a paleontóloga carioca é curadora do acervo de paleovertebrados, composto de 12 mil fósseis de animais que viveram há milhões de anos. A função inclui as tarefas de zelar pelas peças e, principalmente, estudá-las a fundo. “Entender o comportamento desses animais nos dá pistas sobre a história e o funcionamento do planeta”, explica. Cada descoberta pode representar a chave para questões mais amplas, como quando a cientista identificou, em 1998, uma rara espécie de plesiossauro, o primeiro encontrado no Brasil e que ajuda a fundamentar a teoria de que os continentes americano e africano já foram unidos. Décadas de pesquisa ameaçaram virar pó quando o palácio que abriga parte do museu, incluindo o departamento de Luciana, foi devorado por um enorme incêndio, em setembro de 2018.

“Eu e meus colegas entramos em meio às chamas para resgatar o que conseguíssemos, mas logo ouvimos o barulho de desabamento e saímos sem salvar quase nada”, lamenta. Logo na manhã seguinte, com o fogo apagado, passou a se dedicar de forma integral – e incessante – ao resgate dos acervos. Retirados os escombros, ao abrir os armários de aço onde eram guardadas as peças de que cuida, descobriu que, felizmente, boa parte delas havia resistido. “Ainda que danificados, consigo identificar os fósseis”, conta. O mesmo acontece com os acervos de arqueologia e de meteorítica – deste último, restaram mais da metade das peças. Com a dificuldade de que não há precedentes para orientar o trabalho, o processo de restauro deve se arrastar por anos. Apesar do desastre, os pesquisadores se esforçam para manter as atividades, como o projeto Meninas com Ciência, coordenado por Luciana, que apresenta o trabalho de paleontólogas e geólogas a garotas do ensino fundamental. “Mais do que nunca, precisamos mostrar que nossa instituição está viva e que nosso trabalho importa.”

O aprendizado que tivemos após o desastre no Museu Nacional será referência para instituições no mundo todo

Luciana Carvalho, paleontóloga

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