Jefferson Drezett

O ginecologista formulou um modelo de atendimento a vítimas de estupro. Ele é finalista da categoria Eles por Elas do Prêmio CLAUDIA 2019

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O Código Penal, de 1940, estabelece a legalidade do aborto no caso de risco à vida da gestante e de gravidez resultante de estupro. Cinco décadas mais tarde, quando o ginecologista Jefferson Drezett começou a trabalhar no Hospital Pérola Byington, em São Paulo, ainda não existiam modelos abrangentes de atendimento a vítimas de violência sexual e efetivação do aborto legal pelos serviços de saúde no Brasil.

Foi Jefferson o responsável por iniciar no Pérola Byington o serviço que se tornou referência nacional e foi liderado por ele nos 24 anos seguintes.“Na época, havia certo custo social e olhares desfavoráveis ao médico que se expunha a um tema polêmico como o aborto”, conta ele.

No hospital, foram criados meios de oferecer atenção adequada às vítimas de violência sexual, unindo acompanhamento médico e psicológico à assistência social. Quando o estupro resulta em gravidez, o aborto é realizado sem constrangimentos. “As demandas dos movimentos feministas nortearam o modelo e ajudaram a humanizá-lo”, afirma.

Logo nos primeiros anos de atividade, Jefferson e sua equipe constataram a necessidade de oferecer profilaxia contra DSTs às mulheres que buscavam o ambulatório, em uma iniciativa pioneira.

As experiências eficientes embasaram as orientações do Ministério da Saúde sobre os atendimentos pós-estupro nos anos posteriores. Desde 2013, há uma lei que obriga a assistência de saúde às vítimas, incluindo a realização de aborto.

“Apesar dos avanços, muitos municípios não prestam esse apoio, que não requer autorização federal. Eles escolhem quais leis vão cumprir”, aponta Jefferson. Com isso, o Pérola Byington recebe mulheres até de outros estados em busca de acolhimento.

“Depois de tantos anos ouvindo as histórias mais horríveis sobre violência sexual, sei que não estamos fazendo bondade, mas cumprindo um dever”, diz o ginecologista, que, como professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, treina médicos para mudar essa realidade.