Janir Gonçalves Leite

Desde 2012, Janir orienta as comunidades do Mato Grosso do Sul na produção de biojoias e outros objetos feitos de palha e sementes

Aquidauana (MS) é conhecida como o portal do Pantanal. Mas a cidade que dá acesso à região, famosa pela fauna e flora exuberantes, esconde um problema sério. Comunidades indígenas vivem em situação de extrema pobreza, sem terra nem casa própria e desprovidas de saneamento básico. A consultora Natura Janir Leite, filha de um pantaneiro e de uma índia, cresceu nesse cenário.

“Meu pai era um sujeito rude, mas tinha consciência da importância da educação para um futuro melhor. Então batalhou para que os filhos estudassem”, conta ela. Em São Paulo, Janir formou-se em administração de empresas e, desde o início da carreira, trabalhou em projetos de geração de renda. Há cerca de dez anos, voltou à cidade natal para cuidar dos pais. Encontrou as aldeias precisando ainda mais da ajuda que podia oferecer. Em 2012, ela criou um plano para transformar a cultura indígena em algo rentável. 

Duas aldeias já foram beneficiadas. Na primeira, onde nasceu sua mãe, hoje vivem cerca de 3 mil pessoas. Ali, Janir, que também é artesã, percebeu que seria possível gerar renda com a produção de peças de palha e de biojoias feitas com sementes. Reuniu os interessados e os instruiu sobre a confecção e administração do pequeno negócio para conseguir retorno financeiro. “A aldeia virou referência na fabricação desses produtos. Agora recebe compradores. Além disso, o artesanato é exposto em feiras nas cidades próximas”, diz. 

Desde o ano passado, Janir replica o projeto em um núcleo menor, onde 68 famílias vivem uma situação complicada. “Compramos este terreno e, depois, descobrimos que os documentos eram falsos”, explica o cacique Francisco Gomes Lipu. Enquanto não regularizam a situação, dividem um só ponto de distribuição de energia elétrica e não têm acesso à rede de esgoto. “A valorização do que é dos índios, além de aumentar a renda deles,  tem como resultado a melhora da autoestima. Isso os ajuda a lutar por seus direitos”, conclui a administradora.

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