Ivanise Esperidião 

Após o desaparecimento da filha adolescente, Ivanise Esperidião fundou o movimento Mães da Sé, que já localizou milhares de pessoas perdidas e promoveu o reencontro com as famílias. Ela é finalista do Prêmio CLAUDIA 2019 na categoria Trabalho Social

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Foi nas escadarias da Catedral da Sé, marco do centro de São Paulo, que, em 31 de março de 1996, Ivanise Esperidião reuniu quase 100 mães que procuravam os filhos desaparecidos. Ela recebia telefonemas das mulheres desde que dera uma entrevista para um jornal na qual compartilhava a própria história. As buscas pela filha de Ivanise já duravam quatro meses, mas algumas mães viviam a mesma angústia fazia anos. 

Sua primogênita, Fabiana (Ivanise tem outra filha), sumiu aos 13 anos após visitar uma amiga que morava a 300 metros da casa dela. Nos dias que se seguiram, a mãe mergulhou em uma busca desenfreada, incluindo hospitais, o Instituto Médico Legal (IML) e delegacias. “Voltava todos os dias porque temia que o corpo da minha filha fosse enterrado sem que eu pudesse vê-lo. Nas delegacias, não havia nenhuma sensibilidade à minha causa”, lembra. Com parco apoio institucional, encontrou forças nessas outras mulheres que compartilhavam de seu desespero. Naquele fim de março, nasceu o Mães de Março (também conhecidas como Mães da Sé), movimento de busca por desaparecidos que, ao final de seu primeiro ano, localizou 48 pessoas. Hoje já soma em todo o país cerca de 5 mil, a maioria crianças e adolescentes. Ivanise reuniu famílias separadas havia mais de três décadas. Por isso, não perde as esperanças de que chegará sua vez de abraçar a filha, ainda que demore.

Milhares de pessoas desaparecem no Brasil todos os anos – o Fórum de Segurança Pública estima quase 83 mil sumiços em 2017, considerando os poucos dados existentes sobre o assunto. Só no estado de São Paulo foram 25 mil registros e 95% de resoluções. Um dos fatores que dificultam a procura é a falta de integração entre as polícias dos diferentes estados. Uma lei sancionada neste ano visa corrigir a questão ao instituir cadastro e política nacionais  de busca de desaparecidos. Essa foi mais uma vitória da pressão imposta pelas Mães da Sé, que, além da dedicação exclusiva de Ivanise, conta com voluntárias articuladas aos órgãos públicos para agilizar o processo. “Transformei a dor solitária em missão de devolver o brilho ao olhar dessas mulheres”, diz. “Mesmo que a minha espera acabe, continuarei pelas outras.”

Algumas mães de desaparecidos não conhecem seus direitos ou sabem como recorrer às autoridades. O sistema não as acolhe

Ivanise Esperidião, ativista

 

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Maite Schneider

Sandra Santos