Ilona Szabó

Fugindo de fórmulas batidas, a cientista política busca soluções para segurança pública. Ela é finalista da categoria Políticas Públicas do Prêmio CLAUDIA 2019

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No início dos anos 2000, após completar um mestrado sobre conflito e paz na Suécia, a fluminense Ilona Szabó estava determinada a interferir nos violentos embates sociais do Rio de Janeiro. Passou a apoiar a ONG Luta pela Paz, que atua na educação de adolescentes em comunidades da capital do estado. A experiência se tornou um trabalho de campo para observar a desproteção das crianças em meio a disputas armadas. Na linha de frente, criou, após a aprovação do Estatuto do Desarmamento, em 2003, o primeiro posto de entrega voluntária de armas no Brasil, que serviu de modelo para o restante do país. Apesar da atuação constante, admite que o trabalho nas comunidades era desgastante. “A cada vida perdida, um pedaço de mim que ia embora”, recorda. Passou a se questionar como poderia contribuir ativamente para a construção de uma sociedade mais justa e segura. Decidiu se dedicar ao desenvolvimento de soluções na área das políticas públicas. Para tanto, agregou o conhecimento que obteve de pesquisas e de seu papel como então coordenadora de comitês internacionais de discussões sobre segurança pública, entre eles a Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, e participou da fundação do Instituto Igarapé, em 2011, no qual é diretora.

A entidade se desenvolveu assentada no princípio da criação coletiva por meio da experiência compartilhada. “Não temo um bom confronto de ideias e sei que, se as pessoas têm informação, elas podem mudar de opinião”, pontua. Com base em conceitos de combate à desigualdade e fortalecimento da democracia, formulou voluntariamente um modelo de segurança pública para o Rio de Janeiro com 25 propostas nas últimas eleições – como sempre, reunindo um fórum diverso de pessoas para contribuir – e encaminhou para os candidatos eleitos (não se sabe, porém, se ao menos parte dele está sendo implementado). Também fundou o Movimento Agora, com o intuito de construir um plano de ação para o próximo governo. Na tentativa de levar esses temas a um público mais amplo, publicou Drogas: As Histórias Que Não Te Contaram e Segurança Pública para Virar o Jogo (ambos pela Zahar). Participou também como uma das roteiristas do documentário Quebrando o Tabu. “Disponibilizamos dados sobre o que deu certo mundo afora e o que podemos fazer para interromper o medo e botar a mão na massa juntos.”

Conhecendo propostas mais eficientes para os problemas de segurança pública, não posso me calar

ILONA SZABÓ, cientista política

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