Fernanda Honorato

Em seu programa de TV e em palestras, divulga os direitos e as potencialidades das pessoas com deficiência

Alerta Abril Prêmios: Configuração do reCAPTCHA ausente

Em seu programa de TV e em palestras, divulga os direitos e as potencialidades das pessoas com deficiência

TEXTO GIULIANA BERGAMO

Ainda na maternidade, ao descobrir que sua recém-nascida tinha síndrome de Down, a contadora carioca Maria do Carmo Honorato chorou copiosamente por uma noite e um dia inteiros. “Eu enfiava o rosto no travesseiro, para não fazer barulho, e soluçava”, relembra.

No dia seguinte, enxugou as lágrimas e insistiu para ter alta médica. “Era preciso começar a estimulá-la quanto antes.” Com apenas 23 dias de vida, Fernanda, hoje uma mulher de 36 anos, fazia a primeira sessão de fisioterapia.

Desde então, segue surpreendendo os pais. Na adolescência, quando morava com a família em Foz do Iguaçu (PR), depois de assistir a uma reportagem na televisão, anunciou: “Estão dizendo aí que tem vagas para pessoas com deficiência na prefeitura.

Eu tenho síndrome de Down, quero trabalhar também”. Embora nunca tivesse escondido nada da filha, era a primeira vez que Carmen ouvia a menina falar sobre sua condição.

O primeiro emprego, no entanto, só viria em 2006, quando a família estava de volta ao Rio de Janeiro. Fernanda dançava em uma boate quando foi abordada e entrevistada por uma equipe de audiovisual e recebeu o convite para fazer um teste.

Aprovada, passou a integrar o time do Programa Especial, da TV Brasil, tornando-se a primeira repórter com deficiência intelectual do país. O semanal vai ao ar aos sábados, às 12 horas. Traz reportagens sobre deficiências, transmitidas com legendas, narração para imagens e linguagem de sinais.

Nele, há o quadro Tietando, em que a repórter entrevista celebridades. Já responderam às perguntas de Fernanda, por exemplo, Chico Buarque e Maria Bethânia, conhecidos por evitar o assédio da imprensa, e a jornalista Marília Gabriela, “musa inspiradora” da repórter.

Orgulhosa por ser “completamente independente”, a carioca também viaja pelo Brasil para ministrar palestras sobre inclusão. “Sempre digo às mães de crianças com síndrome de Down para não desistirem dos sonhos e acreditarem no potencial dos filhos. No futuro, eles podem ser repórteres, como eu”, afirma.