Débora Seabra de Moura

Primeira professora do Brasil com síndrome de Down, é autora de um livro infantil e ministra palestras sobre inclusão em todo o país. Ela é finalista na categoria Trabalho Social do Prêmio CLAUDIA

Ela virou notícia em março por um péssimo motivo. Primeira professora com síndrome de Down do país, Débora Seabra de Moura precisou ir a público se defender da discriminação praticada pela desembargadora Marília Castro Neves.

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Em sua conta no Twitter, a magistrada postou uma mensagem que ironizava a função de Débora. “O que será que essa professora ensina a quem? Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?” Quando soube do ataque, a educadora não titubeou. Escreveu uma carta à mão, fotografou e postou em suas redes sociais. “Ensino muitas coisas para as crianças. A principal é que elas sejam educadas, tenham respeito pelas outras, aceitem as diferenças, ajudem a quem precisa mais”, afirmava no texto. Há 13 anos, Débora é auxiliar em uma turma de educação infantil na Escola Doméstica, em Natal. Trabalha durante a tarde e, pela manhã, divide seu tempo entre a academia, a psicoterapia e a orientação pedagógica que recebe.

Seus 19 alunos não são os únicos que se beneficiam dos ensinamentos. A potiguar é autora do livro infantil Débora Conta Histórias, coletânea de contos sobre diversidade, publicado em 2013 pela editora Alfaguara. Ela também ministra palestras sobre os direitos das pessoas com deficiência em todo o país e já participou de eventos internacionais, como a III Conferência do Dia Internacional da Síndrome de Down na Organização das Nações Unidas, em Nova York, em 2014. “Nessas ocasiões, digo que a inclusão começa na família, depois entre os amigos, na escola, no trabalho e em toda a sociedade”, afirma.

Nascida no início da década de 1980, quando eram poucos os conhecimentos sobre o talento e o potencial de quem tem a síndrome, Débora viveu as dificuldades na pele. Demorou meses para que sua mãe, Margarida Seabra de Moura, aceitasse o fato de que dera à luz uma criança com deficiência. Passado o susto, Margarida e o marido, Robério, foram em busca de tratamento adequado. E ensinaram a filha a se defender. Hoje, ambos têm certeza de que a trajetória dela é um sucesso.

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