Cinthia Rodrigues

Coordena o Quero na Escola, plataforma que conecta voluntários a estudantes que desejam participar de atividades extracurriculares

Ela sempre foi apaixonada por educação e não deixou de pensar nisso mesmo trabalhando como jornalista. Filha de uma professora, Cinthia Rodrigues passou a infância entre a sua escola particular e a instituição pública onde a mãe trabalhava. Adulta, manteve o tema no radar. Em suas reportagens, apontava os problemas do ensino no Brasil esperando, assim, que os responsáveis agissem. Até que se cansou da inércia das autoridades e resolveu investigar profundamente a questão.

A virada aconteceu em 2013. Na época, seus filhos, os gêmeos Leo e Heitor, tinham começado a frequentar uma creche municipal na capital paulista. “Entrei para o conselho da escola e discutia a importância da higiene, do acolhimento das famílias, entre outras coisas”, diz. Certo dia, chegou antes de o portão abrir e flagrou pais, mães e crianças pequenas esperando sentados na sarjeta, perto do esgoto. Levou o problema para o debate e garantiu que o estabelecimento passasse a funcionar mais cedo. “Parecia algo banal, mas mostrou que existia um muro separando a escola da comunidade”, conta Cinthia.

Engajada, participou de um programa de incentivo a projetos sociais, e, apoiada por amigos e colegas, criou a Quero na Escola. O objetivo da ONG é aproximar os alunos da rede pública da sociedade, reforçando laços e incrementando o ensino extracurricular. O instrumento que serve de ponto de partida é uma plataforma online. Os estudantes se inscrevem nela e fazem solicitações do que gostariam de aprender. Do outro lado, voluntários disponibilizam seus talentos. Oferecem praticamente tudo: de palestras sobre feminismo e racismo a oficinas de arte e leitura. Esses dados são colocados em um mapa, e a equipe de Cinthia faz a mediação, conectando as crianças que querem aprender às pessoas interessadas em vê-las crescer e adquirir conhecimentos. A ONG procura a direção das escolas com um projeto. Realiza a produção e organiza a atividade. Ela calcula que, ao todo, mais de 12 mil alunos de dez estados já foram atendidas.

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