Bruna Marcelly Coutinho

Bruna conheceu o Grupo União pela Vida após perder o pai, com aids, e ver a mãe padecer com a mesma doença. Na presidência da ONG, acolhe pacientes e familiares

As camas da casa de número 3 645 da Avenida Rondônia, na paranaense Umuarama, estão permanentemente arrumadas. Na cozinha, o almoço cheiroso é servido por volta do meio-dia, e a sala está pronta para receber quem precisa de conforto. Ali, porém, não moram parentes. É a sede do Grupo União pela Vida, ONG fundada há 18 anos para acolher quem vive com o vírus HIV, causador da aids.

“Frequentemente chegam mulheres que foram expulsas de casa e até violentadas quando o marido ou familiares descobriram o diagnóstico”, diz Bruna Marcelly Coutinho, presidente da organização. “Passadas três décadas, desde a divulgação dos primeiros casos e com tantas informações e conhecimento adquirido, ainda há preconceito e discriminação.” Além de amparo, a ONG oferece apoio psicológico e assistência social para assegurar a continuidade do tratamento, cujos efeitos colaterais são fortíssimos. Ainda orienta sobre os direitos dos pacientes.

Durante anos, Bruna viveu o drama das famílias e dos portadores de HIV. Ela era criança quando seus pais descobriram que tinham o vírus. “Meu pai estava ficando muito doente e ninguém sabia o motivo”, lembra. O falecimento de José Ribeiro, aos 44 anos, abalou econômica e emocionalmente Bruna, as duas irmãs mais novas e, em especial, a mãe delas, Valdemir Coutinho. “Depois, os sintomas a derrubaram. Ela mal conseguia trabalhar.”

Bruna conheceu então a União pela Vida, que a princípio as socorreu com alimentos. Mais tarde, a instituição orientou a garota a buscar cursos profissionalizantes. “Quando minha mãe faleceu, fiquei sem chão, mas a presidente da União, Sirlene Cândido, me acolheu.” Reerguida, Bruna quis estender a outras pessoas o alento que havia recebido. Ao manifestar isso, foi convidada a assumir a tesouraria e, depois, a presidência do grupo. Para dar conta dos compromissos como consultora Natura e conduzir a ONG, ela se disciplinou. Assim, consegue obter sucesso nas duas empreitadas. “Meu objetivo é empoderar quem vem a nós para que viva com dignidade como qualquer pessoa.”