Ananda Machado

A professora Ananda Machado criou um programa de valorização das línguas indígenas macuxi e wapichana com rede de professores voluntários em Roraima. Ela é finalista do Prêmio CLAUDIA 2019 na categoria Educação

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Na mitologia da etnia macuxi, a maior de Roraima, Insikiran é um guerreiro, irmão de Makunaimî, que deu origem a esse povo. Em sua homenagem, foi batizado o instituto criado em 2001, na Universidade Federal de Roraima (UFRR), que forma indígenas em licenciatura intercultural, saúde coletiva e gestão territorial para atuar em suas comunidades.

Desde 2009, eles compartilham seu conhecimento em um programa de valorização das línguas e culturas macuxi e wapichana, duas das mais comuns do estado. Criadora do programa, Ananda Machado havia chegado à universidade para apresentar seu projeto sobre história oral indígena e teatro de bonecos, que conduzia entre os guaranis, no Rio de Janeiro.

Visitando comunidades no entorno da capital, Boa Vista, percebeu que, embora municípios como Uiramuã e Bonfim reconheçam o macuxi e o wapichana como línguas cooficiais, muitos indígenas de gerações mais jovens desconhecem o vocabulário usado por seus ancestrais. “Fui descobrindo que o número de falantes era baixo e me mobilizei para sensibilizar sobre a situação por meio da universidade, apoiando a luta de professores dessas línguas”, conta Ananda.

Ela se mudou de vez para o estado como professora da UFRR, iniciando o projeto com o apoio de professores indígenas voluntários. A cada semestre, são abertos novos módulos, com classes que vão do básico ao avançado, misturando aulas de língua, de aspectos culturais e teatro. Em média, são recebidas cerca de 600 inscrições, não só de indígenas.

Compartilhar e cultivar essas línguas é especialmente importante como forma de preservá-las da extinção, já que nem sempre há registros escritos. “Alguns dos professores já foram discriminados por não falar bem o português. Mas eles têm a própria língua e, ao repassar esse conhecimento, entendem o valor dela”, afirma a professora.

Durante a década de existência do projeto, ela viu vários antigos alunos do programa se tornarem estudantes de graduação e pós. “Muitos não sabiam que tinham direito de frequentar a universidade, que há vagas específicas. Esse é o primeiro contato com as instituições de ensino”, diz.

Para atingir povoados mais distantes, os cursos têm edições dentro das próprias comunidades. Também foi publicado um livro didático inteiramente em wapichana, contando com a colaboração de linguistas e de indígenas que trabalham para manter a língua de seu povo viva.

Com o apoio de universitários indígenas, criei um curso para ensinar e preservar línguas que poderiam desaparecer

Ananda Machado, professora

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