Clique e assine com até 75% de desconto

Renata Vasconcellos fala sobre a vida pessoal e a carreira: ‘Comecei com a cara e a coragem’

Ela se diz romântica demais, vaidosa sem exagero, otimista como a vida pede. Não é só: a jornalista e nova apresentadora do 'Fantástico' está em grande fase: feliz em família e com um bom desafio profissional pela frente

Por Dalila Magarian (colaboradora) Atualizado em 28 out 2016, 01h07 - Publicado em 19 mar 2014, 22h00

Renata Vasconcellos não se considera uma celebridade 
Foto: Nana Moraes

No camarim, antes da sessão de fotos, Renata Vasconcellos, 41 anos, parece insegura com o penteado: “Não está armado? Artificial?”, pergunta. Na verdade, ela está linda. Jornalista e publicitária, filha de um engenheiro e uma advogada, tem uma irmã gêmea – Lanza Mazza, estilista da grife Cantão – e um irmão. A nova âncora do Fantástico, da Globo, fala baixo, cultiva a discrição. Assim que começa a posar, revela a mulher confiante e sexy que é. A nova musa do domingo tem dois filhos, frutos da primeira união. Depois, casou-se de novo de papel passado. O marido, Miguel Athayde, colega de emissora, é diretor regional de jornalismo. Ela não gosta de falar da vida pessoal. “Não sou artista, o foco é a notícia”, explica a carioca, que começou a carreira na TV em 1995, no canal a cabo Globo News.

Bonita, logo assumiu a bancada do Em Cima da Hora. Não tinha experiência: “Comecei com a cara e a coragem”. Passou para o Bom Dia Brasil, já na TV aberta e, de lá, para o lado de Tadeu Schmidt, na atração dominical. “Confesso, levei um susto. Não esperava uma mudança como essa.” Seu maior desafio agora, admite, é ganhar ginga e uma linguagem mais solta. Pode ser difícil, mas ela garante: “Sempre escolho ver o lado melhor da vida”. De folga, lê ou cozinha na região serrana fluminense, para onde segue com o marido e seus meninos, Antônio, 14 anos, e Miguel, 12. Adora colo e, nesta entrevista, assume ser romântica “demais”.

O que mudou na rotina desde a ida para o Fantástico? 
Ainda estou me adaptando ao novo fuso horário. Deixei de acordar às 4h40, e o meu relógio biológico ainda não está funcionando perfeitamente depois de 11 anos nessa rotina. Eu seguia uma disciplina militar, e a casa precisava parar de funcionar cedo para que eu pudesse dormir. Era difícil, porque as famílias estão indo se deitar cada vez mais tarde. Agora posso dormir mais. Por outro lado, preciso acertar o calendário: minhas folgas deixaram de ser nos fins de semana. São às segundas.
 
E o que gosta de fazer quando não está trabalhando? 
Adoro mato. Sempre que posso, vou para minha casa no campo mexer com as plantas. Tenho uma horta. Não há nada mais gostoso do que colher um pé de alface fresquinho. À noite, ouço os grilos, vejo o céu estrelado… No Rio, gosto de fazer programas com meus filhos.
 
Como é ser mãe de dois adolescentes? 
Adoro ser mãe de meninos. Sinto-me protegida e acarinhada por eles, que são muito companheiros. Claro, de vez em quando sou chamada ao colégio, mas nada grave.
 
O que mais a preocupa em relação à educação deles? 
Como toda mãe, o que me assusta é a violência. O mundo está repleto de perigos e delícias, e é preciso prepará-los para fazer as escolhas certas. Acredito que lá na frente eles saberão distinguir o certo do errado. Tento passar os princípios que me são mais caros e a importância da ética.
 
Já se sentiu culpada pela dedicação ao trabalho? 
Sempre dei importância a minha vida pessoal. Nunca coloquei a carreira na frente da família. Claro, existem momentos em que o trabalho requer mais tempo e dedicação, e isso faz parte do jogo. Na visita do papa Francisco ao Brasil, passei uma semana mergulhada na cobertura. Mas já fiz o contrário, isto é, me dediquei exclusivamente às crianças. Acredito no equilíbrio. Sou o tipo de mãe que chama para conversar, frequenta reuniões de colégio, não me omito. Família é o meu bem maior.
 
É vaidosa? Como se cuida?
Considero-me vaidosa, sim. Gosto de me arrumar, me produzir para uma ocasião especial. Nada exagerado. Cuido bastante da minha alimentação. Incluo frutas e fibras no meu café da manhã, que é a refeição mais importante. Quando fazia o Bom Dia Brasil, não costumava jantar, porque me deitava cedo. Mas nunca deixei de participar de uma comemoração ou um jantar e saborear uma comidinha gostosa. Sem exagero. Não sou do tipo que raspa o prato.
 
Tem receio de envelhecer diante das câmeras?
Nunca senti essa pressão. Quero ter o direito de envelhecer numa boa. Sei que sou uma mulher bonita, mas não ponho toda a minha energia na aparência. O tempo também traz aprendizado e aprimoramento, que são coisas boas. Além disso, o Brasil também está envelhecendo. Por que não ter também mulheres maduras na frente das câmeras? Eu acredito na força da experiência e da maturidade. A televisão deve ser um reflexo da sociedade.
 
Quando se sente mais bonita?
Acredito que toda mulher fica mais bela quando ouve isso de quem ama. Quando a gente se conhece e se gosta, também. Pode parecer clichê, mas é verdade.
 
Você é romântica?
Muito, demais! Não sei viver sem amor. Claro, os românticos sofrem, mas mesmo assim vale a pena. Adoro certos movimentos entre os casais apaixonados, como a delicadeza, o cuidado, o tratamento de um com o outro.
 
O que faz um relacionamento dar certo? 
Antes de qualquer coisa, é preciso conhecer a si mesma muito bem. Só assim é possível saber o que você pode oferecer ao outro e o que deseja receber em troca. Outro ponto fundamental é o respeito. Pode parecer batido, mas o excesso de intimidade não pode eliminar o respeito. Sou o tipo de mulher que gosta de certa cerimônia, não no sentido do distanciamento, mas do cuidado. Pequenas coisas fazem diferença, como bater na porta antes de entrar no quarto. Ou mesmo oferecer um café e um bolinho numa bandeja, com gentileza. Gosto quando meu marido abre a porta do carro e digo: “Obrigada, meu amor”.
 
Estar casada com alguém da mesma profissão ajuda ou atrapalha?
Um entende o outro, especialmente no que diz respeito às demandas profissionais. Claro, às vezes nossas folgas não combinam, mas, como a maioria dos casais que trabalham fora, damos um jeito. Você aprende a cultivar a qualidade do tempo que os dois passam juntos. E aprende a curtir os momentos em que está sozinha.
 
Esse é o seu segundo casamento de papel passado?
Sim, nos casamos há pouco, mas estamos juntos faz um bom tempo. Fizemos uma cerimônia discreta, um petit comité. Nada de vestido de noiva, como no primeiro casamento. No papel, discreto, do jeito que nós dois gostamos.
 
Já passou por alguma crise a respeito da idade? 
Quando completei 27 anos, senti aquela mudança brusca na curva da juventude. Mas hoje posso dizer que os meus 30 e poucos anos foram fantásticos. A gente vai acrescentando aos anos autoconfiança e autoconhecimento; isso é bom. A gente fica mais relaxada para curtir a vida.
 
Pensa em fazer cirurgia plástica no futuro?
Não sou radicalmente contra a plástica. Até porque, atualmente, há tantas técnicas novas que podem valer a pena. Mas ainda não pensei nisso. Sei apenas que não quero parecer ter uma idade diferente da real. Quero ser uma bela mulher de 50 anos, de 60, de 70… Até mesmo para dar o exemplo para as mais jovens, que, hoje em dia, estão apavoradas com a ideia de envelhecer. Isso me dá pena. Sou completamente a favor do direito de as mulheres envelhecerem sem a preocupação de se manter com a mesma aparência dos 20 anos.
 
Que tipo de coisa a aborrece?
Não costumo ficar triste ou me chatear por qualquer coisa. Aprendi que a vida é feita de alegrias e tristezas. Também não acho que a gente precisa estar feliz e “para fora” o tempo todo. Momentos de introspecção são igualmente importantes. Em geral, sou uma pessoa otimista. Considero que manter uma postura positiva é uma vantagem. É essencial saber enxergar as coisas bonitas da vida, por mais difícil que possa ser em determinados momentos. É um exercício. Mas só de estar viva, respirando, é maravilhoso. Por isso, às vezes dou uma parada, faço um passeio, tento me reconectar à natureza. A gente precisa direcionar o olhar para as coisas legais do mundo.
 
Como apresentadora do Fantástico, está pronta para virar uma celebridade reconhecida toda hora nas ruas? 
Sabe que detesto essa palavra, “celebridade”? Sou jornalista e continuarei sendo. O Fantástico permite falar com o público de maneira mais solta, mas isso não muda o caráter jornalístico da atração. E minha vida é normal, como a de qualquer outra mulher. Ela não tem nada de especial: eu trabalho, vou à academia, levo os filhos para o colégio. Não faço nada de muito diferente da maioria das pessoas.
 
Você parece ser muito discreta. Contraditoriamente à carreira que tem, não gosta de aparecer?
Na verdade, sempre fui e ainda sou uma pessoa tímida. Surpreendi minha família quando comecei a trabalhar na Rede Globo. Entrei como estagiária e esperava ficar atrás das câmeras, mas acabei na bancada. Hoje superei e já consigo falar para plateias. Mas uma coisa é falar as notícias do país e do mundo, outra é falar a respeito de si mesma. Nesse ponto, ainda sou mais retraída.
 
Como se vê daqui a dez anos?
Eu me vejo sempre ao lado da família, dos meus filhos e do meu amor. Espero continuar fazendo um trabalho no qual possa ter uma troca rica com as pessoas e seguir aprendendo. Principalmente, me enxergo pertinho da natureza e ao lado dos amigos.
Publicidade