“Não estou no momento de pensar em uma segunda união. Se rolar, a vida vai trazer”

O momento é de transformação na vida pessoal. Já no trabalho, Alexandre Borges estreia novo filme e volta aos palcos enquanto ensaia para uma novela. Prestes a se tornar um charmoso cinquentão, o ator anseia por uma fase de menos complicação e mais leveza

Alexandre Borges está ansioso para completar 50 anos, no dia 23 de fevereiro. A data marca o fim do que ele chama de “a crise dos 40, uma década cheia de conflitos”. “Quando saí dos 30, o Miguel tinha 6 anos; era então minha grande responsabilidade”, diz, relembrando os desafios enfrentados. “Queria desacelerar para curti-lo e, ao mesmo tempo, precisava garantir o sustento da família. Aos 40, não dá para largar tudo e fazer um mochilão, viver aventuras loucas. E essas dúvidas e excitações se misturam um pouco. Não era garotão, mas também não me sentia velho.” O galã conta que, naquele momento, estava em um casamento feliz, tinha uma boa estrutura em casa, era reconhecido na profissão… só que sentia falta de algo. “Eram muitas demandas, deixei um pouco de lado a minha espiritualidade, minha essência”, admite. “Meus pais estavam envelhecendo; meu sogro tinha morrido. Então, no meio de tudo, ainda precisava aprender a lidar com isso: assistir as pessoas indo embora. E mal dá tempo de pensar. Acho que é por essa razão que às vezes tem quem largue tudo, venda os negócios, mude de país. É o desejo por uma transformação que traga de volta aquela coisa mais sonhadora”, reflete.

No caso dele, a mudança maior veio com o fim da união de 25 anos com a atriz Julia Lemmertz, 52. “Não houve rompimento. Existe cumplicidade, amizade, um filho. Gostamos um do outro, mas, no momento, resolvemos caminhar sozinhos, manter o espaço individual para descobrir coisas, não precisar falar onde está, que horas volta.”

Ele, entretanto, não avalia este período como negativo, mas criativo: “Sem crise, não há ruptura para que o novo venha”. E é isso que o paulista espera da próxima fase. Na adaptação à vida de solteiro, por exemplo, há muitas (re)descobertas. Para poder ficar perto dos filhos – além de Miguel, 15 anos, tem a enteada Luiza, 28, filha do primeiro casamento de Julia –, está morando em um apart-hotel próximo ao antigo endereço. Leva a roupa para uma lavanderia próxima, faz refeições em um restaurante por quilo nas imediações e lava a própria louça. “Sou bom dono de casa, sempre fui”, diz, rindo.

A rotina pacata é bem diferente da vida do solteirão Heitor, que ele interpreta na comédia romântica Bem Casados, estreia deste mês nos cinemas. O divertido protagonista organiza e filma cerimônias de casamento, embora, paradoxalmente, fuja de relações estáveis. Nisso, ator e personagem têm algo em comum – ao menos por enquanto, Alexandre diz que não cogita uma segunda união. “Não estou no momento de pensar nisso. Se rolar, vai ser uma coisa que a vida vai me trazer”, afirma.

Fora o cinema, em janeiro começa a preparação para Haja Coração, a próxima novela das 19 horas da Globo, que substituirá Totalmente Demais. A trama é um remake de Sassaricando, exibida em 1987. Nela, viverá Aparício, papel que foi de Paulo Autran na primeira versão. Assim como Cadinho, seu personagem em Avenida Brasil (2012), terá três mulheres. “É um desafio muito maior agora, porque não posso me repetir”, reflete.

Até lá, o recital Poema Bar, no qual declama poemas de Fernando Pessoa e Vinicius de Moraes, também será retomado. O espetáculo já passou por Portugal, Alemanha e França, além de várias cidades brasileiras. “Gosto de fazer televisão, mas estar no palco é atender a um chamado, sinto saudades.” Coxias fazem parte da vida de Alexandre desde a infância. Filho único da administradora de empresas e bailarina Rosa Borges com o diretor Tanah Corrêa, ele sempre participou de grupos teatrais. Mas a carreira na TV só viria tempos depois. Aos 17, chegou a vender sanduíches na praia e trabalhar como corretor de imóveis, fazendo plantão (sem remuneração). “Era só para não ficar as férias de verão todas sem fazer nada”, conta. A estreia foi na extinta Manchete, em 1993, na novela Guerra Sem Fim. Um ano mais tarde, surgiu o convite para participar de uma minissérie, Incidente em Antares, na Globo. Hoje, entre novelas, minisséries, séries e participações, já são cerca de 30 papéis na televisão – sem contar os especiais. Mais 30 longas-metragens e oito peças no teatro profissional completam seu currículo. Em 2014, estreou na direção com os espetáculos Uma Pilha de Pratos na Cozinha (de Mário Bortolotto) e Muro de Arrimo (de Carlos Queiroz Telles).

No meio desse turbilhão profissional, Alexandre dispensa perfis em redes sociais. Gosta mesmo é do olho no olho. “Isso levanta meu astral. Às vezes, estou desanimado, mas saio na rua e… pá! Falam comigo, me dão beijos, me agarram (risos). Adoro!”, vibra. Foi o que aconteceu durante o encontro com a equipe de CLAUDIA em um hotel no Rio de Janeiro. Ele abraçou e beijou duas camareiras que perderam o fôlego ao vê-lo dentro do elevador. “Gosto do afeto. Senhoras pulam no meu pescoço, pedem para tirar foto. Eu vou lá, faço um charme, beijo a bochecha. Para mim, é tudo muito natural”, diz. Com tanta energia boa vinda de seu público, rejeita as discussões radicais e até violentas que vêm tomando conta da internet. “Há iniciativas que geram resultados, mas também embates vazios”, afirma. Apesar disso, gosta de observar a diferença de opiniões. “Acredito na liberdade de expressão, desde que cada um respeite as escolhas do outro.”

A pinta de galã arrasa-corações ele mantém com atenção. Depois da última novela, I Love Paraisópolis, em que viveu o desleixado Juju, retomou as sessões de limpeza de pele, as aulas de caratê e as caminhadas na praia. E não dispensa hidratante e creme antirrugas no dia a dia. “São cuidados sem exageros”, justifica. Com o personagem, também foi embora o aroma de lavanda Johnson’s, que usou durante seis meses. “Gosto de perfume, tenho um monte. Abro e, se me agrada, vira o cheiro que marca o personagem. Uso todos os dias até acabar a gravação.” O hábito foi adquirido com Francisco Cuoco durante a novela Quem É Você, de 1996. “Ele me contou que as atrizes o elogiavam. E é verdade, as mulheres pensam: ‘Ele é legal e perfumado’ ”, diz, escancarando o sorrisão charmoso.

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