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“Mudar do Rio para São Paulo me deu uma vista para dentro de mim”

Com a voz rouca, a cantora Marina Lima falou da vida em São Paulo, de novas parcerias e da chance de ser mãe.

Por Bel Moherdaui 27 dez 2016, 10h00

Faz seis anos que Marina Lima trocou sua “solidão com vista para o mar” de Ipanema pelas “luzes sob o céu de São Paulo” – são tantas as músicas compostas e gravadas por ela que não resisto a encaixar por aí. Foi na capital paulista que há pouco a carioca, de 61 anos, encontrou o amor e se abriu novamente para a possibilidade de ser mãe. “Queria ter filhos com os caras que admirava. Cheguei a programar e quase coloquei em prática com um grande amigo, o (cenógrafo) Gringo Cardia. Cheguei a fazer tratamento, mas durou muito e, no fim, achei que talvez não desse certo, porque somos muito diferentes”, conta. O desejo voltou com a chegada do novo amor, uma advogada com quem Marina fez uma união estável. “A Lídice está nessa fase agora. E, por ela, eu topo.”

A mudança de endereço, embora mais do que decidida, foi menos tranquila do que esperava. “Não imaginava, mas muitas pessoas do Rio se zangaram comigo por eu ter mudado para cá.” Felizmente, não faltam amigos nem lá nem em São Paulo. E foi no restaurante de dois deles que nos encontramos, o Chez Oscar, nos Jardins. Depois de pedir uma série de alterações no prato, Marina ficou com uma carne malpassada – “Mesmo!” – com salada de folhas e mussarela de búfala. Tomou suco de laranja.

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“Para o carioca, parece que a beleza da cidade basta. É um constante olhar para fora. São Paulo me deu vista para dentro.” O desejo de mudar para o lugar que considera ter sido essencial em viradas de sua carreira era antigo, mas ela sabia que não seria possível enquanto a mãe precisasse dela. “Tenho um irmão, mas os homens são mais distantes do cuidado dos pais, não é?” O irmão a quem ela se refere é o poeta Antonio Cicero, parceiro fundamental do início da carreira. O do meio, Beto, morreu repentinamente, em 2008; e dona Amélia, dois anos depois. Em dois meses Marina empacotou a vida, vendeu o apartamento e foi com os três cachorros e a ajudante de anos para um apartamento em Higienópolis.

Essa virada para dentro a levou a gravar, em 2015, o álbum No Osso ao Vivo, só de voz e violão. E por falar em voz… sim, falha. Muito. Tanto que, às vezes, é difícil ouvir o que Marina diz logo ali no sofá, do outro lado da mesa. Resquício de uma depressão ou erro médico, não a impede de tocar a vida como tem vontade. “Com esse trabalho, quis me reconectar com meu público lá de trás. Era minha chance de mostrar que não o abandonei ao entrar nessa vertente mais eletrônica.” Foi nele que iniciou a parceria com o duo paraense Strobo – indicação do amigo DJ Zé Pedro. Com o baterista, Arthur Kunz, Marina está preparando um EP que já tem cinco músicas – “Até uma sertaneja, que compus pensando no Daniel”. Três já estão prontas, duas em (minuciosa) pré-produção. É assim que se acostumou a compor, nada de ficar dedilhando o violão até a inspiração se transformar em cifras e letras. “Nem lembro qual foi a última vez que criei assim.”

Virginiana com ascendente em Virgem, segundo conta, é organizada, metódica. “De manhã me sinto mais iluminada, potente”, diz – por manhã, entenda 10, 11 horas. Então,  dedica-se à música: estuda violão, canta, vai para o computador pesquisar e criar. Depois, pilates ou algum outro exercício para gastar energia física. “É raríssimo sair de casa para almoçar.” Dei sorte.

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