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Lília Cabral: a dor e a delícia de ser Tereza

A atriz, que emociona ainda mais o país desde a tragédia de Luciana em "Viver a Vida", mostra por que é uma das nossas maiores estrelas

Por Redação M de Mulher Atualizado em 21 jan 2020, 05h19 - Publicado em 10 nov 2009, 21h00

Lília Cabral: “O público ainda vai vibrar 
com a Tereza”.
Foto: AgNews

Depois de 28 anos de carreira na TV e 23 novelas, além de filmes de sucesso como “O Divã”, Lília Cabral colhe os frutos de sua dedicação. Tereza, que ela interpreta em “Viver a Vida” com uma humanidade tocante, tem recebido todos os elogios.

E ainda mais agora, que a estrela está no olho do furacão, vivendo a tragédia da mãe que vê a filha Luciana (Alinne Moraes), linda e jovem, ficar tetraplégica. Se Tereza já sensibilizou meio mundo até aqui, imagine o que provocará nos próximos meses de novela…

O fato é que cada vez que a intérprete entra em cena, o telespectador já sabe que será presenteado com momentos de pura emoção e arte. É mesmo de arrepiar! O que aproxima a personagem do público é seu jeito natural de ser, de sofrer, amar e odiar, tudo ao mesmo tempo. Como acontece a todos nós! Só que com uma força avassaladora!

“Lília é uma atriz em quem se pode confiar qualquer tipo de papel. Vilã, mocinha, não importa… A certeza que temos é que o telespectador sempre se envolverá com as mulheres vividas por essa rainha da dramaturgia”, declarou Manoel Carlos, autor da trama das 9. Opinião, aliás, compartilhada por outros tantos escritores consagrados.

Casada com o economista Iwan Figueiredo (segundo matrimônio) e mãe de Giulia, 11 anos, a atriz fala de sua vida pessoal, das perdas e conquistas neste gostoso bate-papo.

“Viver a Vida” trata de histórias de superação e a Luciana mostrará isso muito bem… E para você, o que foi mais difícil suplantar até agora?
Foram minhas perdas reais. Meu pai, minha mãe, minhas tias… Saber que não terei mais essas pessoas queridas é uma provação todos os dias.

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E como você lida com essas perdas?
Olha, o trabalho é importante, mas um analista foi fundamental. A família e bons amigos também… Não os amigos que ficam dizendo pra você colocar sua dor pra fora e falando pra ir a outros lugares com eles. Mas sim aqueles que ajudam você a crescer de verdade.

O que é viver a vida para você hoje?
A família é prioridade acima de qualquer coisa. Se minha filha está com dor de barriga eu não trabalho, pois o meu ofício é para oferecer o que eu tenho de melhor dentro da minha casa. Assim, me dedicando às pessoas que eu amo, eu vou vivendo a minha vida.

Você acha que há muitas mulheres como a Tereza da novela por aí?
Sem dúvida! A Tereza é uma personagem construída de forma saborosa do ponto de vista humano. O universo dela é bem próximo do de outras mulheres, pois se separou do marido, está muito revoltada com ele, mas ao mesmo tempo se ilude pensando que aquele casamento pode não ter acabado ainda. Entretanto, surpresas podem acontecer sempre, né?

A Tereza poderá ajudar quem está na mesma situação?
Sim. Ela mostra para os amigos e a família o quanto está sofrendo e também o quanto poderá fazer para mudar a própria vida. O público ainda vai vibrar com ela!

O que é mais difícil para a mulher que se separa depois de um relacionamento de anos?
Não é só a dor da separação em si, mas também o passado que ficou pra trás. Tereza era modelo e deixou a carreira para se dedicar a essa união. Isso acontece com muitas mulheres que largam tudo por causa do marido, que no final não corresponde ao seu amor. Essa vida deixada para trás não pode ser resgatada.

Nesta trama temos a primeira Helena negra no horário nobre da Globo. Acha que o brasileiro superou o preconceito?
Pergunte aos negros se eles estão aceitando que uma mulher negra seja uma heroína e bem-sucedida. Acho maravilhoso esse tipo de discussão, pois tenho observado que o preconceito nem sempre vem de um lado só, mas dos dois.

A Marta de “Páginas da Vida” era arrogante e frustrada com relação a tudo. Tereza tem algo dela?
A Marta era mais egoísta. Só pensava nela. Tudo era “eu não consegui”. O fato de nunca conseguir fazia com que ela não olhasse para o que estava acontecendo ao redor. Quando a filha engravidou, ela pensava no que aquilo a prejudicaria. Quando a neta apresentou o quadro de síndrome de Down, inventou que a criança morreu e pronto. A Tereza não, ela pode ser insuportável e petulante, mas humanamente olha para cada pessoa de forma diferente.

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