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Fernanda Montenegro: unanimidade nacional

Aos 80 anos, a atriz tem tudo para fazer da Bete, de Passione, mais um marco de sua carreira

Por Redação M de Mulher Atualizado em 20 jan 2020, 22h59 - Publicado em 20 Maio 2010, 21h00

A atriz garante: o que mantém sua 
vitalidade é o trabalho 
Foto: Alan Teixeira

Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra. Mas o sucesso de Fernanda Montenegro desmente a máxima do dramaturgo. A atriz é um daqueles casos difíceis de explicar. Num mundo em que juventude e beleza ditam as regras, ela reina absoluta no horário nobre como a protagonista de Passione. 

Na festa de lançamento da novela, sua chegada ofuscou até o belo Reynaldo Gianecchini, o Fred da trama. “Vai ver é porque eu existo há mais tempo”, brincou a veterana, na ocasião, sobre o burburinho. E põe tempo nisso! São 80 anos de idade e 60 de carreira, dividindo-se entre teatro, cinema e TV. Mas, apesar de todo sucesso, ela ainda demonstra insegurança na estreia de um novo trabalho. “Espero que o público me aceite”, garante, referindo-se à sua personagem, Bete. Alguém duvida?

Como define sua personagem?
Bete é extremamente maternal, mas, de repente, tem que ir à luta com unhas e dentes. É uma heroína como as do século 19. Mas em novela nunca se sabe.

Como foi a viagem à Itália?
Passei 28 dias na Itália… Posso dizer que eu e Aracy Balabanian tivemos um grande encontro como personagens.Todo mundo diz que nossa cena ficou muito bonita. Foi feita num espaço extraordinário, uma basílica no meio da Toscana.

As duas personagens vão ter muitos embates, né?
Mas, como toda novela, isso deverá acabar bem. Totó (Tony Ramos) é um cara tão maravilhoso, um ser humano tão rico, que tem que se dar bem na vida. Se não, é uma tristeza enorme. Se aquele caráter não tiver um bom destino, é melhor a gente desistir de viver, até desistir de ver novela (risos). Tudo acabará bem. Daqui a um ano (risos).

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Veja fotos da carreira de Fernanda Montenegro

Passione é a sexta novela de Silvio de Abreu que a senhora faz. O que destacaria na obra dele?
Ele é um novelista que gosta de ser novelista, que ainda não se cansou de fazer novela. Sabe construir cenas com qualidade, com talento. E cria papéis extremamente bem desenvolvidos. Passione é umanovela de grandes personagens de novela. É um folhetim do século 19, com muita categoria e modernidade. Todo mundo gosta de uma boa história.

E qual seria a definição de uma boa história?
É aquela que tem história para contar. História que não deslancha, história que não é história, dá um cansaço… Hoje em dia, com o controle remoto… Entrar num trabalho que não anda nem desanda, que seu personagem não tem desenvolvimento, não dá. É muito tempo no ar, é muito tempo da sua vida.

Depois de tantos anos de carreira, qual é sua expectativa para a estreia de um novo trabalho?
Espero que o público me aceite. Aí, estou entregue à sorte. Espero que gostem não só do meu trabalho, mas do elenco inteiro, porque botar uma produção gigante como essa no ar é uma trabalheira louca.

A senhora comemorou seus 80 anos com o monólogo Viver em Tempos Mortos (que deu a Fernanda o Prêmio Shell 2010 / Etapa São Paulo de melhor atriz). A peça saiu de cartaz por causa das gravações da novela?
Parei tudo, porque não dá mais para fazer, para juntar trabalhos. Essa personagem que tenho, por exemplo, é enorme, tem texto à beça. Bete é imensa, não dá para disfarçar, não dá para enganar a mim mesma, achar que dou conta. Vou com calma.

O que mantém sua vitalidade?
O trabalho, acho (risos). É um DNA qualquer que me faz trabalhar, levantar, ter vontade de viver.

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