Relembre a importância de Francisco Brennand na Arte do Brasil e mundo

Artista plástico faleceu na quinta (19) aos 92 anos de idade por complicações respiratórias

Conhecido como o Mestre dos Sonhos, o ceramista, pintor, escultor, ilustrador, gravador e desenhista Francisco  Brennand morreu nessa quinta (19), em Recife, aos 92 anos. Internado há pouco mais de uma semana no Real Hospital Português, na região central da capital pernambucana, ele  faleceu após complicações de uma infecção respiratória. 

Brennand foi um dos principais artistas plásticos brasileiros do último século, e ficou conhecido mundialmente por ter redefinido o uso da cerâmica na Arte e na Arquitetura. Gostava de peças grandes e grandiosas, assim como provocativas e coloridas. Também ficou conhecido por se preocupar com o meio ambiente e o futuro da raça humana no planeta, temas que sempre fizeram parte de seu trabalho.

Ele começou a carreira artística como pintor e passou para cerâmica depois de se inspirar em Picasso e Miró. Cerca de 3  mil peças do artista – entre esculturas, quadros e cerâmicas – ficam no Instituto Francisco Brennand, localizado nos galpões da antiga fábrica de Cerâmica São João, no subúrbio de Recife, mais isolada da cidade. Como um museu aberto cheio de figuras enigmáticas em relevos, painéis, objetos cerâmicos e esculturas, ele criou um complexo arquitetônico de 15 km distribuídos em vários núcleos. A fábrica de cerâmica onde fica o atelier pertencia à família de Brennand e estava em ruínas no final dos anos 60. Ele não apenas a reativou, mas passou a produzir uma cerâmica pouco ortodoxa que misturava materiais fundidos com aspectos diferentes. 

Um hoje dos pontos turísticos na capital de Pernambuco é o Parque das Esculturas, construído em 2000 e que reúne 90 peças em homenagem aos 500 anos do descobrimento do Brasil. O maior destaque do parque é a Torre de Cristal, com com 32 metros de altura e confeccionada em argila e bronze, inspirada em uma flor descoberta pelo paisagista Roberto Burle Marx.   

Nos últimos anos de vida, Brenannd se deslocava apoiado em uma bengala, mas seguiu ativo até sua morte. Ainda esse ano estava trabalhando, pintando e planejando 100 quadros novos.  Deixou pelo menos 97 completos.  “São estudos, pequenos quadros que pretendo deixar para minhas filhas”, disse ao jornal Diário de Pernambuco, em setembro quando a oficina passou a ser um Instituto com fins não lucrativos. ““A minha parte está feita, e foi feita com minha alma de artista, intransferível. Agora, é com as novas gerações”, disse Brenannd.
O corpo do artista está sendo velado desde ontem à noite na  Capela Imaculada Conceição, no Instituto. Ele será  cremado hoje (20), às 11h, no Cemitério Morada da Paz, no Grande Recife, em cerimônia fechada para os familiares.