Aborto, pena de morte e filme brasileiro se destacam no Festival de Berlim

Filmes com enredos politizados são vencedores no festival

O Festival Internacional de Cinema de Berlim chegou ao fim na noite deste domingo (01) premiando profissionais da sétima arte. Em um ano em que o viés político-social marcou intensa presença nos filmes, entre os consagrados há enredos que giram em torno do aborto na adolescência, das relações interpessoais das mulheres sul-coreanas, da pena de morte no Irã, além da produção brasileira Meu Nome é Bagdá.

O grande vencedor da noite, conquistando o Urso de Ouro como Melhor Filme, foi There is no Evil (“Não Há Mal”, em tradução livre), do iraniano Mohammad Rasoulof. O longa, que foi filmado em segredo, é dividido em quatro partes que contam histórias protagonizadas por militares que devem executar pessoas condenadas pelo estado.

Rasoulof não pode comparecer à premiação, pois cumpre prisão domiciliar devido a outro filme dirigido por ele, Lerd, que denunciou a corrupção no Irã e foi premiado em Cannes em 2017. Sua filha, Baran Rasoulof, que também atua no filme, recebeu a estatueta em seu nome.

“Estou muito impressionada e feliz com esse prêmio. Mas, ao mesmo tempo, estou triste, porque ele é para um cineasta que não pode estar aqui hoje à noite. Então, em nome de toda a equipe, digo: ‘Isto é para ele'”, declarou ela ao receber o troféu.

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Aborto na adolescência

Outro destaque da noite foi o drama pró-aborto Never, Rarely, Sometimes, Always (“Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre”, em tradução livre), da americana Eliza Hittman. O longa levou o Urso de Prata como o Grande Prêmio do Júri.

O polêmico enredo gira em torno de duas primas e melhores amigas, Autumn (Sidney Flanigan) e Skylar (Talia Ryder), que passam a adolescência na Pensilvânia rural. A vida de Autumn toma um rumo diferente quando descobre que está grávida.

Sem querer dar prosseguimento a gravidez e com o apoio da amiga, a adolescente embarca em um ônibus rumo a Nova Iorque para interromper a gravidez, já que a legislação conservadora de sua cidade natal não permite o procedimento.

Com a história contundente, a cineasta tenta mostrar que a interrupção da gravidez é, moralmente, um problema menor do que a falta de dinheiro de quem decidiu tirar o bebê, mas enfrenta dificuldades para seguir com a decisão.

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O Brasil em Berlim

A produção brasileira Meu nome é Bagdá também foi destaque no Festival de Cinema de Berlim. O filme levou, na sexta-feira (28), o prêmio do júri de Melhor Longa na mostra Generation, dedicado a obras que trataram a juventude.

Dirigido por Caru Alves de Souza, a obra retrata a vida da jovem skatista Bagdá (Grace Orsato) na periferia de São Paulo e a sua luta pela liberdade para realizar seu sonho e definir sua própria identidade. É mais um filme com temática forte e de empoderamento feminino a ser consagrado pelo festival.

De acordo com júri, a decisão foi unânime e era “impossível não ser conquistado pela protagonista e sua comunidade e, da mesma maneira, era impossível esquecer o auge glorioso e poderoso deste filme”.

Além disso, o júri afirmou que o filme “é uma prova de que a vida pode não nos proporcionar milagres, mas podemos superar todos os obstáculos se seguirmos nossa paixão”, acrescentou.

O Brasil ainda disputava em outras categorias na 70º edição do Festival de Cinema de Berlim. Todos os Mortos, de Caetano Gotardo e Marco Dutra, coprodução entre Brasil e França, concorria ao Urso de Ouro; já na mostra Panorama, a segunda mais importante, o Brasil era representado pelos filmes Cidade Pássaro, de Matias Mariani; Nardjes A., de Karim Aïnouz; O Reflexo do Lago, de Fernando Segtowick; e Vento Seco, de Daniel Nolasco.

Na mostra Generation, Meu Nome É Bagdá concorreu com , dos brasileiros Ana Flavia Cavalcanti e Julia Zakia; Alice Júnior, de Gil Baroni; e Irmã, de Luciana Mazeto e Vinícius Lopes.

Cena de Meu Nome é Bagda Cena de Meu Nome é Bagda

Cena de Meu Nome é Bagda (Meu Nome é Bagdá/Divulgação)

Onda sul-coreana chega a Berlim

Depois de Parasita ter vencido a categoria principal no Oscar 2020, chegou a vez de outra produção sul-coreana ganhar visibilidade e reconhecimento. The Woman Who Run (“A Mulher que Corre”, em tradução livre), dirigido por Hong Sang-soo, conquistou o Urso de Prata na categoria Melhor Direção.

O filme, ambientado no subúrbio de Seoul, acompanha a visita de Gamhee (Min-Hee Kim) a três amigas. Casada, ela compartilha com as mulheres que aquela é não só a primeira vez que viaja sem o marido, mas a primeira vez que passa um dia sozinha em cinco anos de casamento. A reação das amigas é diferente a cada vez que ela toca nesse detalhe.

A princípio, parece que o filme se trata apenas disso: um diálogo entre amigas que não se viam há muitos anos. Mas há algo de mais profundo no longa. Ele retrata a natureza humana e as relações interpessoais das mulheres sul-coreanas que, aos poucos, vão se emancipando e enfrentando os próprios medos.

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