As histórias de mulheres que lutaram contra a escravidão

Mulheres que inspiram pela resistência e iniciativas pela luta do direitos dos negros escravizados

O dia 13 de maio marcou o fim da escravidão no Brasil, pelo menos no papel. A abolição, sem nenhuma medida de compensação ou apoio aos ex-escravizados, não mudou na prática as consequências que são sentidas até hoje, mais de 130 anos depois. A data não é para celebração, mas serve como um marco para lembrarmos de personalidades que realmente lutaram pelos direitos da população negra. Por isso, evidenciamos, abaixo, algumas mulheres que participaram de movimentos abolicionistas.

Aqualtune

 (Biblioteca Nacional/Reprodução)

Aqualtune, a princesa africana, filha de um rei do Congo, segundo a tradição, foi avó materna de Zumbi dos Palmares. Apesar de comandar a resistência contra os invasores, seu povo foi derrotado e ela foi presa e levada para um mercado de escravizados, sendo enviada para o Brasil. Vendida como escravizada reprodutora, chegou em uma fazenda na região de Porto Calvo já grávida. Ali ouviu os primeiros relatos sobre os quilombos e decidiu comandar uma fuga com destino a esse quilombo.

Sua experiência em batalhas logo fez de Aqualtune uma líder e passou a comandar uma aldeia. Os últimos registros sobre sua vida são datados de 1677, quando já era idosa e sua aldeia foi atacada. Não se sabe exatamente como e o dia de sua morte, mas a líder quilombola foi uma figura muito importante para a história da população negra durante o período colonial, simbolizando liderança e resistência dentro do sistema escravocrata vigente na época.

Adelina

Adelina, cuja existência não deixou para a História sobrenome, data de nascimento ou morte nem uma foto oficial, era filha de uma escravizada com um senhor. Seu pai não cumpriu a promessa de libertá-la aos 17 anos de idade como previa a Lei do Ventre Livre e pior, quando ficou pobre, era sua filha escravizada e adolescente que vendia nas ruas e no comércio de São Luis os charutos que passou a produzir. Por ter sido criada na casa grande, Adelina sabia ler e escrever, por isso quando se envolveu com a causa abolicionista, conseguia transmitir informações vitais sobre ações policiais até estratégias dos escravistas, para ajudar nas fugas de escravizados.

Maria Firmina dos Reis

 (Biblioteca Nacional/Reprodução)

Maria Firmina dos Reis era negra e livre, também (como Adelina), “filha bastarda” do senhor da casa grande.  Foi a autora do que é considerado o primeiro romance abolicionista do Brasil, Úrsula, onde três dos principais personagens são negros que questionam o sistema escravocrata. Aos 55 anos, ela criou uma escola gratuita e mista para crianças pobres onde trabalhava como professora. Maria Firmina morreu aos 92 anos, na casa de uma amiga que havia sido escravizada. 

Anastácia

 (Biblioteca Nacional/Reprodução)

Anastácia  é uma das mais importantes figuras femininas da história negra. Nascida no Brasil, depois que sua mãe foi violentada por um homem branco, ela tinha olhos azuis. Forte e guerreira, ela era conhecida por reagir e lutar contra a opressão do sistema escravista, e foi obrigada a usar uma máscara de ferro por toda a vida, que só era retirada na hora de se alimentar. Seu sofrimento de abusos violentos e físicos terminaram com sua morte, mas sua resistência inspirava outros escravizados. Os restos mortais de Anastácia desapareceram após um incêndio na Igreja do Rosário (no Rio de Janeiro) onde foi enterrada aumentando a crença popular e religiosa.  

Maria Tomásia Figueira Lima

 (Biblioteca Nacional/Reprodução)

Maria Tomásia Figueira Lima era de uma família de aristocratas que se envolveu com a causa abolicionista depois do casamento e se tornou uma das principais articuladoras do movimento no Ceará. O estado decretou a libertação dos escravizados quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea. Mara Tomásia presidiu a Sociedade das Cearenses Libertadoras, que  reunia mulheres de famílias influentes a favor da abolição. Em determinado momento,  até o imperador Dom Pedro II deu apoio financeiro à iniciativa.

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Todas as mulheres podem (e devem) assumir postura antirracista:

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