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Relembre a trajetória da atriz Olivia de Havilland

Ela ficou famosa por personagens angelicais, mas nos bastidores rompeu barreiras, comprou brigas e se tornou uma lenda

Por Ana Claudia Paixão Atualizado em 21 set 2020, 14h11 - Publicado em 1 jul 2020, 18h00

Neste domingo (26), a última atriz viva que participou do filme …E o Vento Levou morreu aos 104 anos, na sua casa em Paris. Olivia de Havilland, que perdeu o Oscar de melhor atriz aoadjuvante para Hattie McDaniel, em 1940, chegou a comemorar seu aniversário do ano passado andando de bicicleta nas ruas do seu bairro. O registro foi publicado em seu próprio perfil no Twitter.

Reprodução/Twitter

 

Vencedora do Oscar de Melhor Atriz duas vezes, Olivia ficou marcada por papéis angelicais, como o de Melanie Hamilton, em E O Vento Levou, Lady Marian, em Robin Hood, mas era uma atriz de temperamento forte e independente. Em uma época em que os estúdios eram praticamente donos de suas estrelas, ela ousou ser independente e trabalhar por projetos.  Isso ainda nos anos 1940s, quando as mulheres não tinham voz. Olivia processou a Warner Brothers e conduziu sua carreira sem a interferência dos executivos. 

Vivien Leigh, Olivia De Havilland e Hattie McDaniel em uma cena de E o Vento Levou. As três foram indicadas ao Oscar, apenas Olivia perdeu Mondadori/Getty Images

Olivia era unanimidade entre os colegas. Atrizes conhecidas como difíceis, como Bette Davis, ou problemáticas, como Vivien Leigh, permaneceram próximas até o fim de suas vidas. No entanto, uma das brigas mais lendárias da história de Hollywood é o ódio mortal entre as irmãs, Olivia de Havilland e Joan Fontaine.

As duas nunca se deram bem e a competição na carreira só piorou o relacionamento. Joan venceu o Oscar de melhor atriz por Suspeita, de Alfred Hitchcock. As duas irmãs tinham sido indicadas naquele ano e Joan, que ganhou o prêmio antes de sua irmã, se recusou a receber um abraço de Olivia. Anos depois, quando foi sua vez de ser a vencedora, Olivia retribuiu o gesto, virando as costas para Joan quando ela estendeu a mão para dar parabéns. Elas seguiram tentando se acertar, mas romperam de vez em 1975. Quando Joan morreu, as duas não se falavam há 38 anos. Ainda assim, o assunto é sensível. Na série Feud: Bette and Joan, da FX (e dos mesmos autores de Hollywood), Catherine Zeta-Jones interpreta Olivia e aparece xingando a irmã. Olivia se ofendeu com a cena e processou os produtores por difamação. Perdeu, o que marcou uma das raras derrotas nos tribunais, mas que mandou um sinal de que segue atenta ao mundo do entretenimento.

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Olivia de Havilland com sua irmã, Joan Fontaine, em 1945. Trinta anos depois deixariam de se falar, para sempre Silver Screen Collection/Getty Images

Olivia se mudou para Paris em 1950, quando conheceu o terceiro marido, Pierre Galante, editor do Paris Match. Os dois se divorciaram 12 anos depois, mas ela permaneceu na França. Em 1965, ela foi a primeira mulher a presidir os júri do Festival de Cannes. No ano passado relembrou como foi ser não apenas a primeira, mas a única mulher naquele ano. “Eu gostei de presidir sobre um comitê onde só tinha homem”, admitindo que se sentiu intimidada a princípio.

A Rainha Elizabeth II a condecorou como Dame há três anos e Olivia foi a mulher mais velha a receber a honra, aos 92 anos.

Olivia de Havilland com seus dois Oscars Reprodução/Getty Images

  

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