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Stéphanie Habrich

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Stéphanie Habrich é CEO da editora Magia de Ler, apaixonada pelo mundo da educação e do jornalismo infantojuvenil. Fundadora do Joca, o maior jornal para adolescentes e crianças do Brasil e do TINO Econômico, o único periódico sobre economia e finanças voltado ao público jovem, ela aborda na coluna temas conectados ao empreendedorismo, reflexões sobre inteligência emocional, e assuntos que interligam o contato com as notícias desde a infância e a educação, sempre pensando em como podemos ajudar nossos filhos a serem cidadãos com pensamento crítico.
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Os exemplos negativos que podemos dar para os nossos filhos

Crianças e adolescentes reproduzem nossas falas e é preciso tomar certo cuidado com o que falamos, propõe a colunista Stéphanie Habrich

Por Stéphanie Habrich
3 nov 2021, 09h54

Às vezes, vejo meus filhos dizendo coisas que sei que não foram eles mesmos que pensaram. Isso manifesta de diversas formas: pode ser com uma opinião política, um comentário sobre uma questão social ou um posicionamento sobre um determinado fato.

O que ocorre, na realidade, é que eles estão reproduzindo o que ouviram de algum membro da família e levando para as suas conversas na escola, casa de amigos, clube… Isso é algo que muitas crianças e adolescentes fazem e que é perfeitamente natural: os jovens são como esponjas, que absorvem tudo o que está no ambiente à sua volta. Eles precisam buscar referências no meio para aprender a viver e, muitas vezes, usam os pais e responsáveis como seus guias máximos nesse sentido.

É por isso que nós, adultos responsáveis por esses menores de idade, precisamos tomar cuidado com o que falamos. Muitas vezes, as crianças reproduzem as nossas falas no seu dia a dia, mesmo sem ter entendido muito bem o contexto por trás daquilo. Dependendo do caso, isso pode se transformar em um problema. Vamos imaginar que um adulto, durante uma reunião com os amigos, faça uma piada de gosto duvidoso sobre uma figura pública. O seu filho, que estava ali ao lado, ouve tudo e depois faz a mesma piada na escola, no meio da aula (um momento nada apropriado). Ao final, podemos concluir que, de certa forma, aquele adulto responsável pela brincadeira contribuiu para espalhar para vários jovens em formação uma ideia preconceituosa sobre a personalidade famosa. Com essa atitude, ele acabou, mesmo que de forma não intencional, indo contra a ideia de que devemos educar as gerações mais novas para serem menos preconceituosas do que os grupos etários anteriores.

Ao mesmo tempo, não é preciso ir muito longe para saber quando uma criança está dando uma opinião pessoal e quando está propagando algo que ouviu de um adulto. Para isso, basta questionar o jovem. É bem provável que ele não saiba justificar ou defender a sua fala, já que não se trata de uma conclusão a que ele chegou depois de refletir sobre aquilo. Ele apenas fez um “copia e cola” de uma fonte que considera importante.

Diante de tudo isso, acredito que a melhor forma de evitar que as crianças reproduzam ideias equivocadas é policiando o que falamos na frente delas. Devemos prestar atenção aos nossos pensamentos e falar por escolha – e não por impulso. Sei que é difícil fazer isso. Às vezes, algumas coisas escapam, ninguém é de ferro. Mas, quanto mais ficarmos conscientes sobre as nossas atitudes, mais fácil será de nos controlarmos.

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Em paralelo a isso podemos nos esforçar para fazer mais comentários, na frente dos jovens, que os ajudem a construir a sua própria opinião sobre os fatos. Podemos fazer isso mostrando os vários lados da questão, por exemplo. Assim, o jovem terá um leque diverso de opções para refletir sobre o assunto e chegar ao seu próprio posicionamento. Depois disso, caso alguém questione o seu modo de pensar, ele terá muito mais chances de defender o seu ponto e argumentar, já que aquilo foi construído a partir de um processo de reflexão interna e não de algo vindo de terceiros.

Está tudo bem termos influência, voluntária ou involuntária, sobre os nossos filhos. Mas também precisamos lembrar que, ao mesmo tempo em que podemos ser ótimos exemplos para eles em vários sentidos, corremos o risco de passar mensagens que não contribuirão para que se tornem cidadãos respeitosos e éticos. Por isso, a mudança tem que começar em casa, com nós mesmos.

 

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