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Kika Gama Lobo Por Atitude 50 Focada na maturidade como plataforma pessoal, a jornalista Kika Gama Lobo escreve sobre as sensações e barreiras que as mulheres de 50 anos vivenciam

Kika, presente!

Que Marielle seja o sangue derramado que se transforme em um Sudário em nossas faces

Por Kika Gama Lobo 21 mar 2018, 11h38

Desde que Marielle foi executada, penso menos no singular. Tudo é coletivo. O nós faz cada vez mais sentido. E –cinquentona– procuro minha alma libertária.

Na PUC, eu era rata de DCI. Inflamada, ruborizada, militava contra russos, americanos e aquele déjà vu que se provou mega demodê. Veio Cuba, veio Che, vieram tantos ídolos –hoje marketizados pelo consumo ou apagados pelo tempo. Aliás, o tempo passou.

Vi atrocidades regionais e mundiais. Morar no Rio então é uma Síria-balneário. Aqui se mata e depois vamos à la playa com a maior leveza.

Mas Marielle pesou. Talvez pela brutalidade, talvez por não terem sido bandidos famintos e cracudos, talvez por ter sido morta por ser uma voz.

Talvez, talvez, talvez… E voltei ao meu umbigo e me senti um nada. Eu correndo para lá e para cá atrás do vil metal para manter minhas filhas, preocupada com a Páscoa, o Natal, se conseguirei reduzir medidas até o meu aniversário (sou de agosto), e a morte dela veio me acordar deste cotidiano.

Vai ficar calada, mulherada? Acho que não. Tem sido bonito esse eco uníssono, essa verve vibrante. Que Marielle seja o sangue derramado que se transforme em um Sudário em nossas faces.

Eu acordei! Presente!

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