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Ana Claudia Paixão A jornalista Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood

Todo ano os fãs de Kate Bush prestam uma homenagem grandiosa à musa

Antes de Running Up That Hill, Kate Bush despertou um fenômeno cantando um clássico da literatura e os fãs a homenageiam com o Wuthering Heights Day

Por Ana Claudia Paixão 29 jul 2022, 09h58

Promessa é dívida. Na coluna em que falei de Kate Bush e a volta do sucesso Running Up That Hill, graças a Stranger Things, mencionei o evento mundial e anual que os fãs promovem em homenagem à ela. Em 2022, acontece no dia 30, quando Kate completa 64 anos. É o “Wuthering Heights Day”, ou “O Dia do Morro dos Ventos Uivantes”. A cara da cantora! A essa altura, se a leitora não for da Geração X – por isso lembra do impacto de quando ouvimos Kate Bush pela primeira vez – já fez uma pesquisa e sabe que ela estourou aos 17 anos, com uma canção soturna, um timbre de voz bizarro e uma coreografia estranha. No Brasil, a canção “Wuthering Heights” foi usada em uma campanha de cigarro, quando não apenas era permitido, como cool. Outra história, claro.

Curiosamente, quase 130 anos separam o livro O Morro dos Ventos Uivantes da canção “Wuthering Heights” (que é o nome do livro em inglês). Ambos são clássicos de grande porte, escritos por duas mulheres que coincidentemente dividem o mesmo dia de aniversário, e cujas obras tiveram grande impacto na cultura mundial. Cada uma a seu tempo.

O livro de Emily Bronte, que chocou e dividiu leitores quando foi lançado, em 1847, fala sem rodeios de pessoas narcisistas, cruéis e apaixonadas. A obra é linda e a intensidade da relação de Heathcliff e Cathy ainda desperta estudos mesmo 175 anos depois.

Kate Bush
Kate Bush durante uma coletiva de imprensa para seu especial de Natal, em 1979. TV Times / Colaborador/Getty Images

Já a canção foi lançada em novembro de 1977 e, segundo Kate Bush, na época com 17 anos, foi a exibição de um telefilme da BBC, feito em 1967 que a inspirou. A cantora ainda não tinha lido o livro ou visto a versão mais famosa no cinema, a de 1939, estrelada por Laurence Olivier e Merle Oberon. Impactada, ela compôs “Wuthering Heights” em apenas poucas horas. A canção, considerada uma das melhores da década de 1970 foi incluída no álbum de estreia da cantora, “The Kick Inside”.

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O que ela conseguiu como poucos antes foi captar a difícil alma do clássico da literatura com tamanha sensibilidade. Mesmo nova e desconhecida, Kate fez a ousada escolha de cantar na 1ª pessoa, como se fosse Cathy Earnshaw falando com Heathcliff. SPOILERS para quem não conhece a obra, as referências na letra da música – I’m so cold, let me in and bad dreams in the night – revelam que é o espírito de Cathy que aparece depois de morta como um fantasma na casa do morro dos ventos uivantes, chamando por Heathcliff. É uma das cenas mais importantes do livro e do filme.

Kate gravou a canção em um único take. O single acabou atrasando o lançamento para 1978 por conta de divergências da cantora com a gravadora, que queria trabalhar outra faixa, mas acabou cedendo à insistência da novata.

Mesmo em tempos pré-MTV, os vídeos já eram importantes para qualquer artista. E Kate, que além de cantar e escrever, também dançava, tinha muita convicção de como queria apresentar “Wuthering Heights”.  Quando lançou o vídeo em que aparece com um vestido branco, parou o mundo. Tudo era estranho e brilhante: a voz, a dança, os gestos e a melodia. A coreografia, feita por Kate, pretende – por gestos – mostrar que é o fantasma de Cathy serenando Heathcliff (algo bem claro no refrão). Imediatamente virou referência pop. Nascia um ícone.

No mesmo ano e mesma coreografia, Kate Bush revisitou o vídeo para regravá-lo antes de lança-lo nos Estados Unidos, mas dessa vez optou por um vestido vermelho que se tornou uma das fantasias mais famosas para Halloween desde então. Dançando em um campo aberto, era tão diferente que inspirou o “Wuthering Heights Day”, um evento mundial que sempre acontece em julho, onde os fãs recriam o vídeo como um flashmob em parques públicos. A tradição começou em 2013, em Brighton, com 300 imitadores reencenando o vídeo com o vestido vermelho. Australianos seguiram a dica e em breve pessoas do mundo inteiro aderiram.

Mesmo antes de tempos digitais e NFTs, os passos criados para o vídeo foram desenhados em quadros (veja abaixo), hoje obras de arte e considerados “clássico Kate Bush”. Com “Wuthering Heights”, Kate Bush se transformou em uma das artistas mais copiadas e comentadas de todos os tempos. E era apenas o começo!

Em 2022 a data escolhida foi o dia 30 de julho, que é, também o aniversário de Kate Bush. Estimam-se 30 flashmobs de fãs, com participantes de todas as idades. Com a redescoberta da cantora depois de “Stranger Things”, a aposta é que um número ainda maior possa se empolgar esse ano.Se quiser aprender os passos, tem os vídeos de Kate Bush, vários tutoriais no Youtube e, sem dúvida, no Tik Tok. Boa sorte!

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