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Rachel Jordan Especializada em imagem, comportamento e protocolos internacionais, Rachel Jordan é consultora, instrutora, palestrante e ministra cursos e workshops por todo o Brasil sobre imagem e comportamento no ambiente profissional

Teremos um comportamento mais sustentável no mundo pós-pandemia?

Será que estamos mesmo voltando ao sonhado normal que tanto desejamos desde que a pandemia revolucionou nossas vidas?

Por Rachel Jordan - Atualizado em 5 ago 2020, 00h35 - Publicado em 5 ago 2020, 12h00

Passados quase cinco meses do início do isolamento social, já é possível perceber algumas transformações provocadas pela pandemia e que mundo teremos daqui por diante. Com a flexibilização, muitas pessoas já estão indo às ruas, voltando à rotina de trabalho e saindo para se divertir. Ou seja, aparentemente e, aos poucos, parece que a vida começa a voltar ao ponto em que paramos. Mas a pergunta que faço a vocês é: será que estamos mesmo voltando ao sonhado normal que tanto desejamos desde que a pandemia revolucionou nossas vidas?

Sinceramente, acredito que não. E isso é muito positivo. Afinal de contas, todos nós temos consciência de que muitas coisas precisavam mudar, que precisávamos rever valores e padrões. Uma lástima que todo esse processo de mudança esteja acontecendo com um custo tão alto de vidas perdidas. Não há dúvidas de que a pandemia abalou o mundo e fez aflorar em milhões de pessoas um novo padrão de comportamento. Mudamos a forma de trabalhar, consumir e como nos relacionamos. Fomos, involuntariamente, obrigados a parar e pensar.

Mas será que essa parada inesperada realmente nos transformará em pessoas melhores, mais preocupadas com o outro e com o meio ambiente? Teremos um comportamento mais sustentável? Ainda é cedo para termos uma resposta definitiva. É certo que as crises sempre funcionam como um divisor de águas para todos. Não podemos desperdiçar esse momento, precisamos colocar em prática tudo aquilo que garantirá uma vida mais sustentável para todos nas próximas décadas. Corremos o risco de voltar a pagar um preço alto se continuarmos a cometer os mesmos erros e a valorizar coisas que não têm o grau de importância que imaginávamos.

Acredito que nessa nova fase nosso olhar estará mais voltado para o bem-estar, para a família e amigos e, espero, repensemos também sobre as desigualdades sociais e o sobre o impacto ambiental de nossas atitudes para o planeta. É inaceitável, por exemplo, condutas como as que já estamos observando em relação ao descarte das máscaras de proteção. Em muitos lugares elas estão sendo jogadas nas ruas ou até mesmo atiradas ao mar. Será que ainda não entendemos que descartá-las de forma inadequada amplia a propagação do vírus, aumentando o número de casos e de mortes? Sem falar nos enormes estragos causados à natureza. Algumas cidades já estão sofrendo com os danos do descarte incorreto.

Precisamos nos engajar em práticas mais sustentáveis, ter consciência de nossas responsabilidades e limites. É compreensível que muitos ainda precisem de um tempo até assimilar novos padrões de comportamento, afinal estamos num caldeirão de emoções; perplexos, com medo e frágeis diante de tudo. Mas o descarte incorreto de máscaras, por exemplo, poderia funcionar como um símbolo do que não devemos mais fazer daqui para frente. Outro ponto que devemos repensar é a nossa ânsia desmedida de consumo, principalmente de roupas. Passamos meses com nossas peças penduradas no armário sem poder usá-las. Será que precisamos mesmo consumir tanto para sermos felizes?

Provavelmente a crise econômica que o mundo está atravessando, como causa direta da pandemia, obrigará as pessoas a economizarem. Afinal, milhares perderam seus empregos e reduziram seu poder de compra. Acredito que apesar da  onda de “compra por vingança”, quando muitos consumidores lotaram lojas de grife e shoppings centers no mundo inteiro em busca de objetos, roupas e acessórios caríssimos, assim que o comércio foi reaberto, tenha sido uma válvula de escape após algum tempo de privação causada pelo isolamento.

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Embora não exista um consenso nem por parte de especialistas no que se refere ao consumo, penso que vivemos uma forte tendência de elegermos prioridades e ter somente aquilo que precisamos realmente. Claro que vivemos numa sociedade de contrastes sociais, então sempre existirão aqueles que passarão por essa crise com os mesmos conceitos e pensamentos, mas não há dúvidas de que muitos estão repensando quais valores serão mais importantes daqui por diante.

A natureza nos deu lições e enviou inúmeras mensagens nos últimos meses. Após uma quarentena prolongada, muitos indicadores sobre as melhorias observadas no meio ambiente nos causaram surpresa. Em tão pouco tempo vimos ressurgir várias espécies, além da melhora da qualidade da água e do ar. Mas aprendemos também que se não cuidarmos bem do meio ambiente em que vivemos, passaremos por outras tragédias como as que estamos enfrentando nesse momento.

E você, fez uma revisão de valores e comportamentos durante a quarentena? Não precisamos nos transformar em outra pessoa, só precisamos ser mais conscientes, solidários e engajados em causas que apontem novas soluções para termos uma vida mais sustentável.

Autoconhecimento – Que tal aprender a se conhecer melhor e saber quais são as suas necessidades reais? Isso certamente facilitará as escolhas que você fará daqui por diante. Antes de comprar, se pergunte se realmente precisa daquilo que está consumindo. Lembre-se de que estamos vivendo um momento de incertezas, a expressão menos é mais nunca esteve tão oportuna quanto agora.

Consumo – Antes de comprar o seu próximo par de sapatos ou um novo vestido, avalie se essas compras realmente são necessárias e se farão diferença no seu guarda-roupa. O momento é de reciclar. Redescubra peças que estão esquecidas no seu armário, dê uma nova roupagem a elas, monte novos looks com o que você tem em casa. Uma alternativa sustentável são os brechós, eles andam cheios de peças incríveis, uma ótima forma de você girar a roda de forma mais inteligente.

Moda sustentável – Cada vez mais precisamos estar atentos ao que consumimos. Em se tratando de moda, precisamos saber a origem da roupa e o comprometimento da marca com as questões ambientais e sociais. Afinal, você se sentiria bem usando uma marca que põe em risco a vida de animais ou que acumula fortunas com funcionários que trabalham em condições sub-humanas?

Solidariedade – Se você não fez ou participou de alguma ação de solidariedade durante o isolamento social, ainda dá tempo de olhar para o outro. O momento exige que pensemos de maneira mais coletiva, o outro também importa. Exercitar o bem para o coletivo faz bem a você mesmo.

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