Clique e assine Claudia a partir de R$ 5,90/mês
Rachel Jordan Especializada em imagem, comportamento e protocolos internacionais, Rachel Jordan é consultora, instrutora, palestrante e ministra cursos e workshops por todo o Brasil sobre imagem e comportamento no ambiente profissional

Novas formas de consumo no mundo pós-pandemia

As empresas e marcas precisam descobrir em quem nos transformamos, o que queremos e a forma como vamos consumir daqui por diante

Por Rachel Jordan - Atualizado em 27 ago 2020, 12h30 - Publicado em 27 ago 2020, 17h00

O forte impacto causado pela pandemia da Covid-19 certamente fará de 2020 um ano histórico e sem precedentes na era moderna. Num período de apenas cinco meses vivemos uma transformação de valores e de comportamento que jamais poderíamos supor quando festejávamos a chegada do novo ano cheios de otimismo e planos. O isolamento social provocado pelo vírus obrigou o mundo a se transformar e mudou significativamente a nossa forma de agir, pensar e consumir. Parecemos ter despertado de um sonho que nos apresentou uma realidade com padrões muito diferentes daqueles que estávamos acostumados.

Vivíamos até então a exaltação de alguns valores que começam a não fazer mais sentido nesse chamado novo mundo em que mergulhamos. Um deles o estímulo exacerbado ao consumo e tudo aquilo que o cerca. Nos últimos tempos o verbo ter parecia ser mais importante do que o verbo sentir, gostar, compartilhar. Tínhamos e, em alguns casos, ainda temos a necessidade de ostentar e demonstrar poder. Mas será que realmente mudamos com toda essa crise que estamos passando?

As pesquisas que vêm sendo feitas para detectar novos padrões de comportamento indicam que sim. Existe um novo olhar sobre consumo no mundo inteiro. Estamos aprendendo a comprar com propósito, focados em novos conceitos e objetivos. Até em função da crise econômica que vivemos, com mais de 12 milhões de desempregados no Brasil, e muitos trabalhadores com salários reduzidos, as pessoas estão avaliando a real necessidade de consumir, privilegiando o que é essencial e deixando de lado o que consideram supérfluo.

Torço para que esse comportamento seja um legado permanente e que possamos nos transformar em consumidores mais conscientes e sustentáveis. Olhe para a sua casa, família e amigos. Você percebe alguma mudança na forma de pensar e de consumir dos que estão a sua volta? Quantas vezes nos últimos tempos já ouviu de alguém próximo a você frases como “não preciso mais disso” ou “adotei um novo estilo de vida na pandemia”. Certamente muitas vezes. Convenhamos que enfrentamos uma ruptura muito brusca dos nossos hábitos e isso nos fez parar e pensar.

Alguns setores apontam essa mudança. As compras online explodiram nos últimos meses revelando um novo perfil de consumidor. Se antes nos rendíamos ao apelo da compra imediata em lojas físicas, a variedade de lojas online e de aplicativos delivery, nos fez adotar o hábito de pesquisar não só sobre o valor, mas sobre a origem e a qualidade de cada produto que estamos adquirindo. Temos mais tempo para comprar e escolher o que se adequa ao nosso bolso e ao nosso estilo de vida. Aprendemos a comprar sem sair de casa e isso nos tornou mais cautelosos na hora de consumir. Hoje, antes de finalizar uma compra, nos perguntamos: “eu preciso disso realmente?”

As empresas e marcas já perceberam que têm um papel importante nesse momento. Precisam descobrir em quem nos transformamos, o que queremos e a forma como vamos consumir daqui por diante. O conceito “do it yourself”, ou seja, faça você mesmo, nunca esteve tão em alta. As pessoas foram estimuladas a usar a criatividade para resolver questões que anteriormente eram vistas como um problema e resultavam diretamente em consumo. Não tenham dúvidas de que as relações mudaram. Essa prática nunca não deixará de existir, mas nosso comportamento como consumidores não é mais o mesmo.

Continua após a publicidade

Abaixo pontuo algumas dessas transformações em diferentes segmentos, da moda à beleza, passando pelo lazer.

Moda em destaque – As marcas já estão em campo para apresentar peças com novos conceitos que seduzam o consumidor. Muitas ainda permanecem em casa, seja trabalhando no esquema Home Office ou se preservando da pandemia que ainda corre solta. A linha comfy virou objeto do desejo pois nos oferece aquilo que mais queremos nesse momento: conforto e relaxamento.

Desfiles virtuais – As grifes encontraram rapidamente um novo formato para suas semanas de moda. As últimas foram todas virtuais e mais inclusivas. Desfiles que antes ficavam restritos a uma plateia reduzida e selecionada, puderam ser vistos por um público infinitamente maior. E não faltou criatividade para apresentar um produto diferenciado.

Beleza – Muitas mulheres perceberam que podem cuidar da beleza em casa. E foram à luta: pintaram e cortaram o cabelo. As marcas do segmento, de olho nesse movimento, já estão lançando novas linhas de tratamento e de coloração com dicas do passo a passo para esse novo perfil de consumidora.  Mesmo com a reabertura dos salões, essa tendência parece ter vindo para ficar.

Alimentação – Se antes não pensávamos duas vezes antes de ir a um restaurante, por enquanto, ainda preferimos recorrer ao delivery ou preparar nosso próprio almoço ou jantar. Passamos a dar preferência a alimentos frescos e mais saudáveis. Lojas e restaurantes terão que se reinventar e descobrir novos atrativos para atrair um cliente que se tornou mais exigente.

Cultura reinventada – Além das lives, que funcionaram como bálsamo no auge da quarentena, espetáculos online já começaram a surgir como nova forma de expressão artística. Assim como os cine drive-in que andam em alta para o consumidor que deseja viver novas experiências. Duramente atingido, o setor cultural está repensando possibilidades para esse consumidor que não quer se arriscar em aglomerações, pelo menos até a vacina chegar.

O que falta para termos mais mulheres eleitas na política

Continua após a publicidade
Publicidade