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Stéphanie Habrich Stéphanie Habrich é empreendedora, apaixonada pelo mundo da educação e do jornalismo infantojuvenil. Fundadora do Joca, único jornal para jovens e crianças do Brasil, ela vai abordar aqui na coluna temas que interligam o contato com as notícias desde a infância e a educação, sempre pensando em como podemos ajudar nossos filhos a serem cidadãos com pensamento crítico.

Estamos todos esgotados

Se nós, adultos, estamos angustiados com tudo isso, imagine as crianças e adolescentes

Por Stéphanie Habrich Atualizado em 18 dez 2020, 17h32 - Publicado em 21 dez 2020, 11h00

O ano está acabando e estamos exaustos. É comum que essa sensação de cansaço surja ao fim de cada ano, mas nunca experimentamos uma exaustão semelhante a que vivenciamos agora, em dezembro de 2020.

Não aguentamos mais as restrições impostas pela covid-19, não suportamos mais o distanciamento social (que segue sendo necessário) e o dia a dia de tantas incertezas. Quando a vacina chegará? Que vacina vamos tomar? Quando poderemos retomar a vida como ela era antes?

Se nós, adultos, estamos angustiados com tudo isso, imagine as crianças e adolescentes. Afinal, eles também tiveram que mudar suas vidas radicalmente neste ano: aulas presenciais suspensas, estudo on-line, falta de contato com os amigos, mudanças na rotina da casa… É duro ter que conciliar tantas novidades ao mesmo tempo, ainda mais em uma faixa etária em que você está descobrindo o mundo e, muitas vezes, ainda não desenvolveu completamente características como resiliência e adaptabilidade.

À essa altura, após um ano inteiro estudando em casa, meus filhos estão completamente cansados das aulas on-line. Não aguentam mais fazer as tarefas e não querem mais abrir as câmeras. São sinais de que não têm mais energia para acompanhar o dia a dia escolar – algo que eu imagino que todos os estudantes (e professores) devam estar sentindo nesse momento.

A situação deve ser ainda mais difícil para os alunos que ficaram de recuperação. Depois de tudo o que aconteceu em 2020, é doloroso ter ainda que se empenhar para recuperar uma nota. Principalmente quando esse empenho precisa ser colocado em prática enquanto seus colegas aprovados já estão de férias, descansando das telas escolares.

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Ao mesmo tempo, soma-se a isso o fato de que os jovens, assim como adultos, também estão ansiosos para tomar a vacina. E se nos sentimos confusos diante de tantas incertezas relacionadas ao assunto, imagine eles. Como já dissemos em vários textos desta coluna, não podemos ser ingênuos e achar que as crianças e adolescentes não sabem o que está acontecendo. Elas têm acesso a informações pelo YouTube, redes sociais, televisão, grupos de amigos no WhatsApp e até mesmo a partir do que ouvem de conversas entre os adultos da casa em que vivem.

O que acontece é que nem sempre as informações a que têm acesso são de confiança. Algumas vezes, até são verdadeiras, mas não são colocadas de uma forma que a criança ou o adolescente possa entender. Com isso, o jovem pode acabar formulando ideias equivocadas. Tratando-se de um assunto tão delicado, os prejuízos podem ser grandes – como a recusa a tomar vacinas (seja lá de qual empresa for) depois do contato com um conteúdo falso que relaciona a vacinação a doenças graves, por exemplo.

Para evitar que esse tipo de coisa aconteça, é importante que os jovens tenham acesso a informações confiáveis e feitas especificamente para a sua faixa etária. O Joca, jornal para crianças e jovens, pode ser uma boa ferramenta nesse sentido. Tanto nas edições impressas quanto no site, estamos constantemente dando atualizações sobre o desenvolvimento das vacinas e sobre as últimas decisões das autoridades nacionais e internacionais a respeito da sua aplicação na população.

Ao saber o que, de fato, está acontecendo, o jovem fica menos angustiado, pois verá que há cientistas sérios trabalhando para criar um mecanismo de proteção contra a covid-19, e que, assim como já acontece no exterior, em breve, o Brasil também há de começar a sua campanha de vacinação. Ter essas informações, por si só, já ajuda a combater a sensação de esgotamento que estamos sentindo. As incertezas e o medo causam muito desgaste emocional, que, por sua vez, leva a mais esgotamento físico e mental. Quando temos acesso a informações de confiança, percebemos que atitudes estão sendo tomadas para o nosso bem-estar.

Neste momento, pode ser difícil crer que tantos desafios vão chegar ao fim. Mas é como diz a frase: “Tudo dá certo no final. Se não deu certo ainda, é porque não chegou ao fim ainda.” É claro que os desafios seguirão existindo em 2021, mas virada de ano sempre é um momento para reabastecer as energias e renovar a fé. Vamos aproveitar esse momento de passagem para mandar a sensação de esgotamento para longe – mesmo que só por alguns instantes – e enviar boas vibrações para o novo ciclo que iniciaremos.

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