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Stéphanie Habrich Stéphanie Habrich é empreendedora, apaixonada pelo mundo da educação e do jornalismo infantojuvenil. Fundadora do Joca, único jornal para jovens e crianças do Brasil, ela vai abordar aqui na coluna temas que interligam o contato com as notícias desde a infância e a educação, sempre pensando em como podemos ajudar nossos filhos a serem cidadãos com pensamento crítico.

Como melhorar as cidades, na visão dos jovens

Saúde mental, garantia à moradia e mercado de trabalho foram alguns dos pontos colocados por jovens paulistanos

Por Stéphanie Habrich Atualizado em 6 abr 2021, 20h52 - Publicado em 7 abr 2021, 11h00

Se você pudesse propor uma melhoria para a sua cidade, o sugeriria? Essa foi a pergunta lançada, no início de 2020, para os leitores do Joca, jornal para crianças e jovens que fundei há dez anos.

A questão fazia parte do projeto “E Aí, Prefeitura”, uma ação para que jovens da cidade de São Paulo enviassem propostas para o então futuro prefeito, a ser conhecido ao fim do segundo turno das últimas eleições municipais. Os participantes podiam enviar ideias que se encaixassem em uma das destas dez categorias: direitos humanos; educação e escola; esporte, cultura e lazer; meio ambiente e clima; mobilidade urbana; moradia; saúde; segurança; tecnologia e inovação; e trabalho.

Em seguida, as medidas sugeridas pelos jovens reunidas pela equipe do Joca em um documento. A intenção, inicialmente, era entregá-las nas mãos do prefeito eleito – Bruno Covas, vencedor ao fim do segundo do turno. A atual situação de saúde de Covas, no entanto, não permitiu o encontro. Por isso, a entrega acontecerá a seu secretário de educação, Fernando Padula, neste mês de abril.

Embora o projeto tenha sido voltado para a cidade de São Paulo, escolas de outros municípios também desenvolveram ações semelhantes, inspiradas na ação.

Sugestões para São Paulo

Recebemos tantas ideias incríveis que seria difícil escrever todas aqui. Destaco, porém, algumas que particularmente me impactaram muito.

Uma das escolas participantes sugeriu, por exemplo, que as instituições de ensino tivessem um cuidado maior com a saúde mental dos alunos e que passassem a oferecer psicólogos para conversar periodicamente com os estudantes. O plano é que a prefeitura faça parcerias com unidades de saúde e universidades públicas, de modo que recém-formados em psicologia ou alunos da graduação possam fazer atendimentos nos colégios.

Ideias como esta mostram que os estudantes estão atentos à questão da saúde mental e que percebem o quanto abordar esse assunto faria diferença no ambiente escolar. Além disso, gostei do fato de eles terem sugerido que a prefeitura recrutasse recém-formados ou alunos da graduação para darem os atendimentos. Prova de que eles são capazes de pensar em estratégias maduras e viáveis para colocar suas ideias em prática.

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Outra proposta que me agradou muito envolveu melhoria das condições de moradia de pessoas em situação de vulnerabilidade. A ideia era que estudantes de arquitetura ou de engenharia realizassem obras de reforma ou construção em comunidades carentes. Caberia à prefeitura fornecer os materiais de construção e os funcionários para acompanhar o desenrolar das obras.

O plano dos alunos sugere ainda que os estudantes da graduação usem as horas de trabalho como horas de estágio, que são obrigatórias para a conclusão do curso universitário. Com isso, a medida beneficiaria tanto os moradores de comunidades, que passariam a viver em residências de melhor qualidade, como os estudantes de engenharia e arquitetura, que ganhariam experiência e teriam suas horas trabalhadas contabilizadas como estágio.

As duas propostas que citei têm em comum o fato de destacarem a importância de jovens em formação ajudarem a sociedade com os seus aprendizados. De certa forma, essas ideias refletem um pouco o espírito da iniciativa “E Aí, Prefeitura”. Nosso intuito principal sempre foi estimular os jovens a refletir sobre o município em que vivem e propor soluções para os problemas encontrados.

É importante mostrar para eles – e até para os adultos que os cercam – que os jovens têm muito a acrescentar ao debate público e ao desenvolvimento das cidades. O ponto de vista de crianças e adolescentes precisa ser levado em consideração. Não apenas porque, como vimos, eles podem ter ótimas ideias, mas porque, no futuro, esses mesmos jovens ocuparão cargos de grande importância para a cidade. É importante que desde já estimulem um olhar crítico para o que enxergam à sua volta.

Em resumo, o projeto “E Aí, Prefeitura” surgiu com o objetivo de reforçar aquilo que eu sempre digo: crianças e adolescentes também são parte da sociedade e devem ter voz ativa no debate. Por isso, convido a todos a se inspirarem na ação e fazerem pequenos exercícios de cidadania com os jovens à sua volta. Que tal aproveitar um jantar, um passeio de carro ou um momento de descontração em família para convidá-los a pensar em problemas da cidade e possíveis soluções para eles? Tenho certeza de que será uma experiência rica para todos os envolvidos.

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